Falta de saneamento e vulnerabilidade social deixam cerca de 100 crianças e adolescentes à mercê de dores intensas e infecções graves.
Uma crise de saúde pública na Zona Norte de Natal escancarou os efeitos nocivos e degradantes impostos pela falta de infraestrutura básica a comunidades carentes. Cerca de 100 crianças e adolescentes residentes no assentamento Luiz Beltrame, localizado no conjunto Parque dos Coqueiros, receberam o diagnóstico de tungíase, infecção parasitária popularmente conhecida como bicho-de-pé. A proliferação em massa do parasita acendeu o alerta para o risco iminente de infecções secundárias graves e motivou uma força-tarefa médica emergencial no último sábado (4).
A incidência severa da doença reflete de forma direta como a precariedade das condições de moradia e a ausência de pavimentação ou saneamento agridem o bem-estar e o desenvolvimento dos jovens da localidade. Vivendo em contato frequente com solo desprotegido, os moradores ficam expostos a vetores de contaminação. O surto foi identificado por voluntários que atuam na área vulnerável, o que levou o projeto Pediatria Itinerante a suspender o cronograma padrão para realizar um mutirão extraordinário focado em conter o avanço do parasita e aliviar o sofrimento das famílias.
A coordenadora do projeto, Beatriz Jucá, destacou que a gravidade dos quadros clínicos causou espanto na equipe. O ambiente insalubre fez com que muitas crianças desenvolvessem infestações massivas, apresentando entre 30 e 40 lesões dolorosas espalhadas pela pele. A pulga parasita penetra no tecido cutâneo e forma bolsas que geram dores agudas, comprometendo a mobilidade e o sono das vítimas. O mutirão, que reuniu 11 médicos voluntários em uma escola municipal da região, realizou avaliações clínicas, distribuiu prescrições de medicamentos e encaminhou os casos mais críticos para tratamento especializado na rede pública de saúde, evidenciando a necessidade de intervenções estruturais permanentes no assentamento.














