“E aí a minha vida foi…”: Após fuga de 42 anos, fica o questionamento se o motorista carregava a lembrança das 19 vítimas e de suas famílias.
Quatro décadas depois, uma das maiores feridas da história de Natal ganha seu capítulo jurídico final. Aluísio Farias Batista, de 69 anos, foi preso nesta sexta-feira (26) no estado de Mato Grosso, onde vivia escondido utilizando a identidade de um homem falecido [cite: A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, em ação conjunta com a Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, cumpriu, nesta sexta-feira (26), um mandado de prisão definitiva contra Aluísio Farias Batista, de 69 anos, … após um trabalho investigativo que possibilitou a localização do foragido no estado de Mato Grosso, … e o condenado passou a utilizar os dados dessa pessoa falecida.]. Na época do crime, o caso ganhou tamanha repercussão nacional que chegou a ser integrado ao programa Linha Direta, da Rede Globo, conhecido por seu intuito de expor e localizar criminosos foragidos de alta periculosidade.
O caso aconteceu na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, durante o Carnaval. Aluísio dirigia um ônibus de transporte que perdeu o controle na descida do Baldo e atingiu em cheio os componentes de uma banda de música e foliões de um bloco carnavalesco. O desastre resultou na morte de 19 pessoas e deixou outras 12 gravemente feridas. Em depoimento gravado após a sua prisão, o motorista destacou que sequer era para estar naquela rota e tentou justificar a colisão com uma manobra de reflexo: “Não era minha viagem mais (…) um carro desceu na minha frente, um Fusca… Eu livrei dele, quando o ônibus voltou, foi que eu vi o pessoal. Aí não teve jeito. Desviei dele e bati em cheio”.
Juridicamente, por se tratar de um mandado de prisão definitiva decorrente de uma condenação transitada em julgado, Aluísio não possui mais direito a recursos que modifiquem o mérito da condenação. Ele foi encaminhado imediatamente ao sistema prisional para iniciar o cumprimento de sua pena de 21 anos de reclusão em regime integralmente fechado. Além disso, a Polícia Civil instaurará um novo inquérito policial para apurar a prática do crime de falsidade ideológica e uso de documento falso, visto que ele renovava a CNH e trabalhava formalmente utilizando dados de uma pessoa falecida em 1996.
O momento exato em que ele começou a fazer uso dessa identidade falsa ainda não foi precisado, e o fato ainda será investigado pela Polícia Civil. No entanto, as investigações afirmam com segurança que, no ano de 2021, ele utilizou o RG vinculado à pessoa falecida em 1996 para renovar sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e continuar exercendo atividades profissionais como motorista.















