Investigação sobre megaplantação em Acopiara avança com pedidos de mandados judiciais; delegados foram afastados após denúncias de falha na custódia do entorpecente.
O avanço das investigações sobre a megaplantação de maconha descoberta no interior do Ceará ganhou novos desdobramentos políticos e operacionais. O governador Elmano de Freitas confirmou publicamente que a Polícia Civil já identificou novos nomes de suspeitos integrados à logística da “fazenda das drogas”, localizada na zona rural do município de Acopiara. A declaração foi feita nesta terça-feira (7) durante uma coletiva de imprensa destinada à apresentação dos índices de criminalidade e segurança pública do estado vizinho.
De acordo com o chefe do Executivo cearense, os agentes de inteligência e delegados responsáveis pelo caso estão articulando as próximas fases da apuração em caráter sigiloso. O governador deu a entender que novas capturas e buscas podem ocorrer a qualquer momento na região, uma vez que as autoridades policiais dependem apenas da expedição de ordens e autorizações junto ao Poder Judiciário. Paralelamente, a expectativa é de que o relatório final consolidando o encerramento do inquérito na esfera criminal seja remetido formalmente nos próximos dias ao Ministério Público do Ceará (MPCE).
O caso tomou proporções críticas após denúncias apresentadas pelo deputado federal André Fernandes no dia 28 de junho de 2026. Vídeos publicados pelo parlamentar apontavam suposta negligência na guarda do perímetro e na incineração dos 290 mil pés de maconha localizados no terreno. A polêmica gerou o afastamento administrativo de dois delegados civis da comarca. Elmano de Freitas enfatizou que a exoneração das funções de confiança dos policiais, capitaneada pela Controladoria Geral de Disciplina (CGD), cumpre os ritos da Lei Estadual nº 13.441/2004 e serve estritamente para garantir a lisura e a transparência das apurações internas, sem configurar um pré-julgamento dos servidores.
Em relação à destruição do entorpecente, o parlamentar divulgou novas imagens afirmando que o material havia sido simplesmente enterrado. Em nota técnica de esclarecimento, a Polícia Civil do Ceará e o Corpo de Bombeiros Militar informaram que foi empregada a técnica padrão de incineração controlada em valas profundas, seguida pelo recobrimento com terra para evitar o alastramento de focos de incêndio na vegetação local. Até o momento, apenas o proprietário da fazenda, João Holanda Neto, de 59 anos, foi preso em flagrante. Contudo, o fazendeiro acabou recebendo o benefício da liberdade provisória concedida em audiência de custódia devido a comorbidades e problemas de saúde preexistentes. A Polícia Civil trabalha agora para cruzar os dados do contrato de arrendamento da propriedade e identificar os financiadores do esquema.














