Equipamento de R$ 1,3 milhão permite exames digitais e menos invasivos, otimizando a localização de projéteis e fraturas em investigações criminais.
O Instituto de Medicina Legal (IML), braço operacional da Polícia Científica do Rio Grande do Norte (PCIRN), passa por uma importante transição tecnológica com a incorporação de um aparelho de Tomografia Computadorizada à sua rotina de exames. A chegada do maquinário representa um avanço técnico histórico para a perícia oficial do estado, que passa a contar com ferramentas digitais de ponta para qualificar a produção da prova material que subsidia os inquéritos policiais e os processos judiciais.
O equipamento, orçado em R$ 1,3 milhão, foi viabilizado por meio de um convênio de cooperação entre a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a administração estadual, com custeio do Fundo Nacional de Segurança Pública. A relevância prática do tomógrafo está na mudança do paradigma metodológico das necropsias. Até então dependente de procedimentos essencialmente manuais e invasivos, a medicina legal potiguar agora dispõe de diagnósticos por imagem em alta resolução para mapear internamente os corpos.
Na rotina pericial, a tomografia computadorizada permite que os médicos legistas identifiquem com precisão milimétrica a trajetória de projéteis de arma de fogo, profundidade de lesões cortantes, fraturas internas complexas e a presença de corpos estranhos ocultos. Como o rastreamento é feito de forma digital e tridimensional antes ou em substituição à abertura total do cadáver, preserva-se de forma muito mais eficaz a integridade dos vestígios biológicos e balísticos, reduzindo as margens de erro técnico em casos complexos de homicídio.
Além do ganho em confiabilidade e precisão científica, a automação dos exames resulta em um impacto logístico direto para a população: a agilização na liberação de corpos para os familiares. O ganho de velocidade no processamento das necropsias também confere maior dinamismo ao trabalho de investigação da Polícia Civil, já que os laudos periciais e cadavéricos passam a ser confeccionados e anexados às peças jurídicas em um intervalo de tempo significativamente menor.














