Decisão da UJUDOCrim atinge seis réus envolvidos em esquema de ocultação de bens; Justiça decretou a perda alargada de patrimônio e a alienação antecipada de bens sequestrados.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) obteve mais uma sentença condenatória no âmbito das investigações da Operação Plata, que desarticulou um esquema de ocultação e dissimulação de recursos oriundos do tráfico de drogas e ligações com facções criminosas. A decisão, proferida pela Unidade Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas (UJUDOCrim), alcançou seis réus, destacando-se a nova condenação de Geraldo dos Santos Filho, conhecido como “Pastor Júnior”.
De acordo com as apurações do MPRN, Geraldo e seu irmão, Valdeci Alves dos Santos, lideravam a destinação de bens e utilizavam familiares como “laranjas” (pessoas interpostas) para a aquisição e transmissão de imóveis, manobra utilizada para lavar o dinheiro ilícito. Com esta nova sentença, que somou 6 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão por nove condutas de lavagem de dinheiro, as penas acumuladas de Geraldo dos Santos Filho chegam a expressivos 98 anos, 1 mês e 25 dias de reclusão (embora o informativo inicial da decisão cite a soma de 99 anos, 11 meses e 10 dias considerando o acúmulo geral dos processos).
Além das penas privativas de liberdade, a Justiça determinou a perda alargada de bens, direitos e valores vinculados aos condenados em favor da União, além de deferir a alienação antecipada dos bens bloqueados e apreendidos na fase investigativa para evitar a depreciação patrimonial. Foi concedido aos réus o direito de recorrer em liberdade.
Detalhamento das penas e réus:
- Geraldo dos Santos Filho (Pastor Júnior): Condenado por nove atos de lavagem de dinheiro (6 anos, 9 meses e 20 dias). Acumula penas que chegam a quase 100 anos em regime fechado.
- Valdeci Alves dos Santos: Condenado por sete atos de lavagem de capitais (6 anos, 9 meses e 20 dias em regime fechado), totalizando 31 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão acumulada.
- Jefferson Santos da Silva: Condenado por sete atos de lavagem de capitais e associação criminosa, com pena fixada em 6 anos em regime semiaberto.
- Francisca Neta dos Santos: Condenada por quatro atos de lavagem de dinheiro e associação criminosa a 4 anos e 9 meses em regime semiaberto.
- Roberto dos Santos: Condenado por dois atos de lavagem de dinheiro a 3 anos e 6 meses em regime aberto, com substituição por penas restritivas de direitos.
- Érica Cristina da Silva: Condenada por dois atos de lavagem de capitais a 3 anos e 6 meses em regime aberto (pena substituída por restritivas de direitos), sendo absolvida da acusação de associação criminosa.
Outros quatro réus — Aline da Silva Alves França, Jean Carlos da Silva Santos, Ingrid Daniely Vale dos Santos e Matheus Viana Alves dos Santos — foram integralmente absolvidos das acusações contidas na denúncia.
A Operação Plata A ofensiva do MPRN teve como foco desmantelar o braço financeiro de esquemas ligados ao tráfico de drogas e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações comprovaram que a rede criminosa fracionava depósitos e distribuía dinheiro em espécie para burlar o sistema financeiro, utilizando relatórios patrimoniais, quebras de sigilo fiscal e bancário, além de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça para embasar as condenações.













