Valor encontrado no celular de um dos suspeitos preso no Ceará pode indicar pagamento pelo crime, adiantamento, apoio logístico ou ajuda para fuga; rastreamento bancário pode ser decisivo para identificar a origem do dinheiro.
A descoberta de um comprovante de transferência via Pix no valor de R$ 10 mil no celular de um dos suspeitos presos pelo atentado contra o vereador e policial militar Cabo Deyvison abriu uma nova frente de investigação para a Polícia Civil do Rio Grande do Norte. A principal pergunta agora é: quem fez o Pix?
O valor foi encontrado em um aparelho apreendido com um dos homens apontados como executores do ataque que deixou o assessor parlamentar Alyson Dyego morto e o policial militar ferido. A partir dessa informação, investigadores buscam entender qual seria a finalidade da transferência e quem estaria por trás do envio do dinheiro.
Entre as hipóteses analisadas pelas autoridades está a possibilidade de o valor representar um pagamento pela execução do atentado, um adiantamento para a prática criminosa ou até mesmo uma parcela de um valor maior que teria sido negociado previamente. Outra linha de investigação considera que o dinheiro possa ter sido destinado ao custeio da operação, incluindo transporte, hospedagem, alimentação, aquisição de equipamentos ou apoio logístico para a fuga dos envolvidos.
Especialistas em investigação financeira também não descartam a hipótese de que o valor tenha sido transferido após o crime como forma de auxílio para a fuga ou ocultação dos suspeitos.
Para esclarecer a origem da transferência, a Polícia Civil deverá solicitar à Justiça a quebra dos sigilos bancário e telemático relacionados à transação. Com a autorização judicial, os bancos envolvidos são obrigados a fornecer informações detalhadas sobre as contas utilizadas, incluindo identificação dos titulares, histórico das movimentações, extratos, endereços de acesso, registros de dispositivos utilizados e demais dados que possam auxiliar nas investigações.
Na prática, após a expedição da ordem judicial, as instituições financeiras costumam disponibilizar as informações em poucos dias, embora o prazo possa variar conforme a complexidade do pedido e a quantidade de dados solicitados. Em casos considerados prioritários, envolvendo crimes graves e organizações criminosas, a resposta geralmente ocorre de forma acelerada.
Para os investigadores, a análise financeira pode ser tão importante quanto a perícia balística e os depoimentos já colhidos. Dependendo da origem do Pix, a transferência pode ajudar a identificar não apenas os executores, mas também possíveis financiadores, intermediários e até os mandantes do atentado.
Enquanto as diligências continuam, a transação de R$ 10 mil surge como uma das principais pistas capazes de revelar quem financiou a ação criminosa que chocou Mossoró e mobilizou forças de segurança do Rio Grande do Norte e do Ceará.














