PortalBO/CE: Operação “Lavagem Digital” mira plataformas clandestinas que cooptam influencers para aplicar golpes no “Jogo do Tigrinho”

Investigação da Polícia Civil cearense teve início após vítima perder R$ 170 mil; primeira fase bloqueou R$ 2 milhões e revelou que operadores de apostas usam números internacionais e intermediários estrangeiros.

A Polícia Civil do Ceará deflagrou a operação “Lavagem Digital” para desarticular um esquema criminoso envolvendo plataformas clandestinas de apostas online e influenciadores digitais. Embora quatro criadores de conteúdo do estado estejam sob investigação por cooptar seguidores com falsas promessas de lucros fáceis e rápidos, o foco central das autoridades é alcançar os verdadeiros operadores das bancas ilegais que burlam os sistemas de fiscalização e recrutam “laranjas” nas redes sociais.

A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas do Interior Sul (Draco Sul), teve início após a denúncia de uma vítima que acumulou um prejuízo de aproximadamente R$ 170 mil em plataformas ilegais, como o popular “Jogo do Tigrinho”. Segundo o delegado titular Robeilton Amorim, a vítima desenvolveu vício nas apostas, utilizando recursos próprios e, posteriormente, dinheiro de familiares na tentativa de recuperar as perdas.

A partir do monitoramento dos perfis dos influenciadores denunciados, a Polícia Civil deflagrou a primeira fase da ofensiva, que resultou no bloqueio judicial de R$ 2 milhões nas contas dos investigados, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão. O material recolhido está sendo analisado para mapear o fluxo financeiro e a estrutura da organização criminosa.

Em depoimento prestado às autoridades, os influenciadores relataram que as propostas de divulgação eram feitas por meio do aplicativo WhatsApp, partindo de números internacionais. De acordo com o delegado, os investigados afirmaram que os contatos frequentes eram intermediados por pessoas de nacionalidade chinesa, o que levanta a suspeita de que as plataformas operem a partir do exterior. A Polícia Civil agora trabalha para identificar os reais proprietários das bancas virtuais e responsabilizar os envolvidos pelos crimes de lavagem de dinheiro e estelionato.

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