Registros em apenas seis meses já superam todo o ano de 2025; contaminação por toxina em peixes predadores como arabaiana, cioba e sirigado acendeu o sinal de alerta na Sesap.
O Governo do Rio Grande do Norte anunciou a criação de um comitê especial de acompanhamento para monitorar o avanço dos casos de intoxicação por ciguatera e definir estratégias de enfrentamento à doença em todo o território estadual. A decisão foi formalizada nesta segunda-feira (20), motivada por um aumento alarmante de 60,2% no número de notificações de pessoas intoxicadas após o consumo de pescados contaminados.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), apenas no primeiro semestre de 2026 foram contabilizados 141 casos da doença no estado. O número representa uma escalada preocupante quando comparado a todo o ano de 2025, que fechou com 88 registros. O alerta epidemiológico da secretaria considerou as ocorrências notificadas até o dia 11 de junho.
A instituição do grupo de trabalho foi alinhada durante reunião na sede da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca (Sape), contando com a presença de técnicos da Sesap, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e representantes do setor pesqueiro potiguar. O objetivo central da força-tarefa é integrar ações de vigilância sanitária, orientação a pescadores e conscientização da população consumidora.
De acordo com o levantamento da Sesap, as espécies de peixes mais frequentemente associadas aos episódios de ciguatera no litoral potiguar são a arabaiana, bicuda (barracuda), cioba, dourado, galo-do-alto, pargo-preto, pescada-branca, robalo, sirigado e badejo. A ciguatera é uma intoxicação alimentar provocada pela ingestão de peixes que acumularam ciguatoxina — uma neurotoxina produzida por microalgas marinhas e concentrada na cadeia alimentar de peixes predadores.
Os sintomas da intoxicação podem surgir minutos após a refeição ou levar até 48 horas para se manifestarem. O quadro inclui dores abdominais, náuseas, vômitos, diarreia, coceira intensa, dores musculares, dormência ou formigamento nas extremidades e na língua, dor de cabeça, fadiga, gosto metálico na boca e o sintoma característico da inversão térmica — quando a pessoa sente o quente como frio e vice-versa. A Sesap alerta que casos mais graves podem evoluir para complicações severas e exigem atendimento médico imediato em unidade de saúde.














