Crimes ocorreram entre o fim da noite de segunda (2) e a madrugada desta terça-feira (3) no Aeroporto II, Polo Maísa e Malvinas; em uma das ações, criminosos usaram fuzil e incendiaram o imóvel com a vítima dentro.
O município de Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte, vivenciou uma sequência de ataques armados que resultou em três execuções em um intervalo de apenas quatro horas, entre a noite de segunda-feira (2) e o início da manhã desta terça-feira (3). Com os novos registros, a segunda maior cidade do estado atingiu a marca de 130 homicídios contabilizados ao longo de 2026, concentrando ocorrências tanto em perímetros urbanos quanto na zona rural.
O primeiro crime ocorreu por volta das 23h30 de segunda-feira, na Travessa José Galdino Cavalcante, situada no bairro Aeroporto II. A vítima, identificada como Luiz Gustavo Costa da Silva, de 20 anos, natural de Upanema, estava no interior de sua residência quando foi chamada pelo próprio nome por indivíduos que se aproximaram do portão. Ao sair até a calçada para atender ao chamado, o jovem foi surpreendido por uma série de disparos. Conforme informações preliminares da Polícia Militar, a ausência de cápsulas deflagradas na via indica o provável emprego de revólver na ação, cujos autores fugiram logo em seguida.
Duas horas mais tarde, por volta de 1h30 desta terça-feira, a violência se deslocou para a zona rural, no Projeto de Assentamento Apama, localizado no Polo Maísa. Criminosos armados invadiram uma residência onde Josenilson dos Santos Pereira, de 34 anos, natural de São Rafael, dormia ao lado de sua esposa. O homem foi alvejado com múltiplos disparos de arma de fogo e morreu no quarto do casal. A mulher teve a vida poupada pelos invasores, que abandonaram o local logo após os disparos.
Já por volta das 3h30, o terceiro homicídio da madrugada foi registrado na Rua Carmelita V. da Silva, na localidade conhecida como Favela do Velho, no Conjunto Malvinas. Indivíduos armados arrombaram a porta da frente de uma casa e executaram um morador conhecido preliminarmente apenas como João, que também dormia com a companheira no momento da invasão. No local, peritos constataram a utilização de armamentos pesados e de calibres combinados, incluindo pistolas 9 mm e .380, além de fuzil calibre 5.56. Após a execução, os criminosos atearam fogo no imóvel para apagar vestígios balísticos e materiais, resultando na carbonização do corpo em meio aos escombros.
O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para debelar as chamas na residência do Conjunto Malvinas, impedindo que o fogo atingisse residências contíguas. Equipes da Polícia Científica de Mossoró atuaram nas três ocorrências para os procedimentos periciais de local de crime e o encaminhamento dos corpos para exames necroscópicos. Todos os inquéritos policiais serão conduzidos pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Mossoró, que trabalhará na elucidação das motivações e na identificação dos respectivos autores.














