PortalBO/Mundo: Mafioso italiano revela aliança entre PCC e máfia da Itália para envio de cocaína da América do Sul à Europa

Vincenzo Pasquino afirmou em delação que facção brasileira financiava metade das cargas enviadas para a Itália em parceria com a ‘Ndrangheta

Uma delação envolvendo o mafioso italiano Vincenzo Pasquino revelou detalhes inéditos sobre a atuação internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) em parceria com a máfia italiana ‘Ndrangheta no tráfico de cocaína entre a América do Sul e a Europa.

Preso em 2021 na cidade de João Pessoa, na Paraíba, Pasquino decidiu colaborar com a Justiça italiana após deixar a Penitenciária Federal de Brasília, em novembro de 2023. As informações do depoimento foram divulgadas pelo jornalista Marcelo Godoy.

Segundo o mafioso, o PCC teria firmado acordos diretos com famílias tradicionais da máfia italiana para financiar cerca de 50% das cargas de cocaína enviadas do Brasil para a Itália. Pasquino atuava como intermediador entre integrantes da facção paulista e membros da ‘Ndrangheta, considerada uma das organizações criminosas mais poderosas da Europa.

O delator afirmou que representantes de grupos mafiosos italianos viajaram ao Brasil em 2018 para negociar diretamente com integrantes do PCC. Entre as famílias envolvidas estaria o clã Nirta, originário da região da Calábria.

De acordo com o relato, o porto de Gioia Tauro, no sul da Itália, era utilizado como principal porta de entrada da droga no continente europeu. A cocaína era posteriormente distribuída principalmente no norte italiano e também na Sicília.

Pasquino revelou ainda detalhes financeiros do esquema criminoso. Segundo ele, o PCC comercializava o quilo da cocaína por aproximadamente 5 mil euros. Após custos de logística e transporte, o valor subia para cerca de 7,5 mil euros, enquanto a revenda final no mercado europeu chegava a até 25 mil euros por quilo.

Outro ponto revelado pelo mafioso foi o uso de métodos sofisticados para ocultar os carregamentos. Ele afirmou ter organizado, em 2017, o primeiro envio de cocaína saindo do Porto de Santos para a Itália utilizando esconderijos sob a quilha de navios, com auxílio de mergulhadores colombianos especializados.

Segundo o depoimento, Vincenzo Pasquino ingressou oficialmente na ‘Ndrangheta em 2011 e foi enviado ao Brasil com a missão de estruturar rotas marítimas para o tráfico internacional de drogas.

Após colaborar com a Justiça, o mafioso acabou extraditado para a Itália em março de 2024, onde cumpre pena de 10 anos de prisão.

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