Foto: Portal das Missões
O bairro de Natal que nasceu como o porto seguro daqueles que saíram da seca do interior e se tornou o ventre de gerações, divididas entre poder do tráfico e uma falsa sensação de paz.
É um dos endereços da zona Leste de Natal, que possui um privilégio exuberante, o mar azul da cidade bela vista de cima de um monte belo. Um ponto turístico sinalizador dos navegantes, o farol e um o povo que divide a vida comum com uma realidade latente em toda a capital, a violência. Ao lado de um bairro nobre e fundado em 1958, pelo perfeito Djalma Maranhão, Mãe Luiza não tem esse nome a toa, é uma homenagem feita a uma parteira solitária e requisitada por todas gestantes em seus momentos sagrados da maternidade. Até pensei que essa história não passava de mais um conto tantas vezes inventados per aí, mas os historiadores provam que mãe Luiza existe até hoje em cada homem e mulher que sobem e descem a ladeira da rua João XXIII na esfera de um paradoxo, o sacrifício e o amor por essa mãe, Luíza.
Mas o antigo “monte do bode”, como era conhecido, não é só flores perfumadas por boas lembranças e dias de glória, o bairro que hoje habita cerca de 16 mil moradores vive à sobra de um medo legítimo provocado pelo surgimento de grupos criminosos criados lá mesmo no próprio bairro nos anos 90, mas que piorou com o advento hostil das famigeradas facções. “O morro de mãe”, carinhosamente chamada a morada, sempre viveu preso as consequências de conflitos provocados pelo domínio do tráfico de drogas. Lembro dos tempos de guerra entre a rua da caixa d´água e a turma do charutinho. Foram anos de desavenças e até mortes, No entanto, já na década dos anos 2000 foi a facção Sindicato do RN que se estabeleceu, unindo o bairro com alguns propósitos, aumentar o fluxo do tráfico de drogas e estender a prática de roubos, tudo isso com a participação de jovens cada vez mais jovens, recrutados pelo crime.
Em alguns momentos da história, personagens surgiram naquele território entre o mar e a mata atlântica, muitos deixaram sua marca na crônica policial, mas nenhum deles é mais lembrado do que Isack Heleno da Cruz, que ficou conhecido em todo o Estado como Rivotril. Apontado como um exímio traficante e homicida, aquele rapaz de 23 anos, provocou um verdadeiro alvoroço em toda a cidade durante duas semanas de buscas realizadas pelas polícias, foi uma das demoradas procuras por um indivíduo em conflito com a justiça. Até que em uma manhã dez de fevereiro de 2024 ele foi cercado saindo de uma casa e na tentativa de mais uma escapatória, acabou baleado e oito dias depois morreu por complicações devido aos ferimentos. Eu cheguei a conversar com ele no leito do hospital após aproveitar a desatenção da segurança. Foram poucos minutos, mas o suficiente para ele se declarar inocente, que não era o monstro que falavam e que tinha vergonha dos pais, Sr. Heleno e Joana D´arc por esta naquela situação. Logo o guarda que fazia a segurança me viu e precisei sair, mas antes ouvi Rivotril pedindo desesperadamente por água, depois fui embora com a única entrevista concedida a um repórter.
O tempo passou, mas nossa Mãe Luíza continuou amedrontada, chorosa com tantos filhos perdidos, fadados a uma morte cedo e certa. O grito de Luíza ecoa sem parar, seu pranto parece interminável diante de um sentimento que arranca dela o coração, um sentimento injusto de culpa por ter trazido a vida tantos que hoje correm euforicamente para morte. Se ao menos o feixe do farol que toca os marinheiros guiando-os para esta terra tranquila fizesse o mesmo efeito nos pequenos que vieram ao mundo pelas mãos daquela forte mulher, muitas mães não traziam consigo a escuridão da saudade, lá onde nem a luz do farol é capaz de chegar.
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