Latrocínio em Parnamirim reacende o alerta sobre a vulnerabilidade dos policiais e a força crescente do crime organizado no RN
Na manhã da última segunda-feira, 25 de agosto de 2025, o 2º Sargento Roberto Trindade, Policial Militar, tombou vítima de um latrocínio em Parnamirim. Ele estava fora de serviço, apenas visitando sua filha, quando teve a vida ceifada. A tragédia, que dilacera uma família e fere toda a corporação, expõe mais uma vez a dura realidade: no Rio Grande do Norte, ser policial é carregar uma sentença diária, de farda ou à paisana.
A máxima de “Servir e Proteger” parece simples aos olhos da sociedade, mas para cada policial ela se traduz em risco constante. Risco que não termina ao fim do expediente. O uniforme pode até ser guardado, mas a farda invisível da condição de policial acompanha homens e mulheres que escolheram defender vidas — e muitas vezes se tornam alvo apenas por isso.
Enquanto isso, facções criminosas seguem se fortalecendo, criando suas próprias “leis”. Não são códigos de justiça, mas regras impostas com mão de ferro, obedecidas sob medo e ameaça. “No nosso bairro não pode roubar, para não chamar a polícia”; “Não pode trocar de facção”; “Só roubamos onde deixamos”; “Na orla, não mexe”. Regras que, por mais absurdas que sejam, passam a ditar o que o Estado deveria garantir: ordem e segurança.
E dentro dessa lógica perversa, a morte de policiais passou a ser usada como moeda de ascensão no crime. Quem atenta contra a vida de um policial, dentro das facções, é tratado como “corajoso” e, muitas vezes, recompensado com status ou falsa patente. Jovens, seduzidos por essa ilusão, esquecem que não existe bandido aposentado: ou morrem cedo, ou vivem na solidão e abandono, ou passam a vida atrás das grades.
A pergunta que ecoa é: que tipo de policiais queremos ser diante disso?
Aqueles que, diante da perda de um irmão de farda, se levantam e seguem na luta por justiça? Ou os que se resignam, acreditando que a próxima bala nunca terá o seu nome? Não há espaço para neutralidade em tempos em que o crime busca asas cada vez maiores.
O assassinato covarde do 2º Sargento Roberto não pode ser apenas mais um número. Sua memória precisa carregar o peso de um alerta: não há futuro no crime, não há glória para quem enfrenta homens e mulheres que decidiram doar a própria vida pela sociedade.
Dois dos criminosos envolvidos já não estão mais entre nós. Que isso seja prova de que o caminho do crime só leva a dois destinos: o cemitério ou o cárcere.
Que o sacrifício de Roberto da Trindade não se perca no silêncio. Que seja o grito que desperta autoridades, policiais e cidadãos comuns para a urgência de uma resposta firme ao crime organizado.
Vá em paz, Sargento Roberto. Sua vida não foi em vão.
Por: O Equilibrista / PortalBO