Investigado no caso Banco Master, empresário articula acordo com a PGR enquanto perícia revela contatos com autoridades do Judiciário e sistema financeiro.
Após ser transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o banqueiro Daniel Vorcaro deu início às negociações para um possível acordo de delação premiada no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
O primeiro passo foi a assinatura de um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que abre caminho para uma eventual colaboração formal. A expectativa é que o empresário também firme acordo semelhante com a Polícia Federal, consolidando uma delação conjunta.
Nesta sexta-feira (20), Vorcaro deve se reunir com o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, para definir os próximos passos da estratégia jurídica. O defensor já havia se reunido, na última terça-feira (17), com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, ocasião em que discutiu a possibilidade de colaboração premiada.
Caso opte pela delação, Vorcaro precisará apresentar informações consistentes, verificáveis e que contribuam efetivamente para o avanço das investigações. A legislação prevê benefícios como redução de pena, substituição por medidas restritivas de direitos e até perdão judicial, a depender da relevância das provas apresentadas. No entanto, tais benefícios não são automáticos e dependem da validação do Ministério Público e da homologação do STF.
Por outro lado, o descumprimento das cláusulas do acordo — como omissão de informações, mentiras ou quebra de sigilo — pode resultar na perda dos benefícios e em novas sanções legais.
As investigações da Polícia Federal avançaram após a perícia no celular do banqueiro, que revelou uma série de diálogos e registros de contatos com figuras influentes da política, do Judiciário e do sistema financeiro. A maior parte das conversas identificadas foi com a ex-namorada Martha Graeff, nas quais Vorcaro relata bastidores de reuniões, negociações e faz avaliações sobre agentes públicos.
A análise também apontou a existência de contatos com ministros do STF, como Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do ex-ministro Ricardo Lewandowski. Também aparecem nomes ligados ao sistema financeiro, como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e outros dirigentes da instituição.
A menção ao nome de Dias Toffoli em documentos encontrados no aparelho levou o ministro a se declarar suspeito em processos relacionados ao Banco Master. Segundo as investigações, há referências a negociações envolvendo uma empresa associada à família do magistrado, que teria vendido participação em um empreendimento turístico no Paraná a fundos ligados ao banco.
Outro ponto apurado envolve uma suposta troca de mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes no dia 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão do empresário, no Aeroporto de Guarulhos. De acordo com a investigação, há registros de envio de mensagens e imagens de visualização única, mas divergências nos metadados levantam dúvidas sobre a autenticidade do material. Moraes negou qualquer contato e classificou as informações como falsas.
Paralelamente, a CPMI do INSS solicitou esclarecimentos ao STF sobre a titularidade de um número de telefone vinculado à Corte que teria sido utilizado em conversas com o banqueiro. A comissão busca identificar quem estava com a linha no período investigado.
O caso segue sob investigação e a possível delação de Vorcaro é vista como um elemento que pode impactar diretamente o cenário político e institucional, diante do alcance das informações que podem ser reveladas.














