Em análise contundente, a Presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/RN explica como o discurso de ódio digital alimenta a violência real e o feminicídio.
Em um cenário onde o Brasil registra mais de quatro feminicídios por dia, o debate sobre a misoginia — o ódio ou aversão profunda às mulheres — ganha contornos de urgência na segurança pública e no sistema jurídico. Em vídeo que repercute nas redes sociais, a Dra. Geyse Raulino, advogada especialista em Família e Sucessões e atual Presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/RN, detalha como a busca por uma submissão feminina arcaica está na base de crimes que chocam o país.
De acordo com a análise técnica da Dra. Geyse, a misoginia não é um evento isolado, mas uma emoção construída sobre a negação da igualdade. O discurso central baseia-se na ideia de que homens seriam naturalmente superiores e que mulheres lhes devem obediência em todas as esferas, inclusive na sexual.
“Percebam que ela [a misoginia] nasce de uma ideia de desigualdade… reforçada por um ideal de mulher que seja doce, submissa e obediente”, destaca a advogada.
A Dra. Geyse traz à tona casos reais e brutais para ilustrar como a teoria do ódio se transforma em tragédia. Entre os exemplos citados, destaca-se o crime cometido por um tenente-coronel contra sua companheira sob o pretexto de ser um “macho alfa”, e o estarrecedor caso de um adolescente que planejou o estupro da própria namorada.
O alerta também se estende à monetização do ódio nas plataformas digitais. Movimentos conhecidos como Red Pill e grupos masculinistas ganham força, transformando a desvalorização da mulher em conteúdo lucrativo, alcançando milhões de seguidores e normalizando agressões que terminam em delegacias e tribunais.
Como representante da OAB/RN, a Dra. Geyse Raulino defende uma resposta institucional rígida: a criminalização da misoginia. A proposta é que o Estado Democrático de Direito não apenas repudie, mas responsabilize judicialmente aqueles que disseminam discursos de ódio, garantindo que a internet não seja um território sem lei.
Para a advogada, propagar o respeito e a dignidade de forma igualitária é o único caminho para frear os índices de violência doméstica e sexual que vitimam centenas de brasileiras diariamente.

















