Natal, Rio Grande do Norte, 24 de Fevereiro de 2017

Psiquiatra alerta para adolescentes que fogem após amizades nas redes sociais

Último caso foi registrado neste sábado, após uma adolescente do Ceará ser encontrada pela polícia em Natal, com uma amiga que conheceu na internet.

Thyago Macedo   30/10/2011 às 09h06   -  Atualizada em 10/02/2015 às 02h17

Foto: Cedida
Psiquiatra Dânia Barbosa atende adolescentes

A rotina de bate papos e relacionamentos dos jovens através da internet se tornou um drama para uma família de Fortaleza (CE), nesta semana. Desde a última segunda-feira (24), uma adolescente de 14 anos havia sumido e seus pais a procuravam, chegando a divulgar a foto da menina em quase todos os veículos de comunicação cearense. A história, no entanto, teve desfecho em Natal, neste sábado (29).

A adolescente estava na companhia de uma natalense de 20 anos, que ela conheceu através da rede social Facebook. A cearense de 14 anos é filha de pais separados e morava com a mãe e uma avó. Na manhã da segunda-feira, a menina foi deixada no Colégio Militar, onde cursa a 8ª Série, e, desde então não tinha sido mais vista. Ao invés de ficar na escola, a adolescente foi até a rodoviária de Fortaleza, onde se encontrou com a natalense, identificada como Pérola, que já a esperava.

Durante a semana, com o levantamento de dados pessoas da adolescente, os policiais da Dececa descobriram que ele havia feito amizade com a natalense através da internet. A partir daí, passou a desconfiar que a jovem teria vindo para o Rio Grande do Norte a encontro da suposta amiga.

No fim da noite de ontem, os policiais que vinham monitorando as duas conseguiram localizá-las em uma farmácia no bairro de Candelária. Elas foram abordadas e levadas para a Delegacia de Plantão da Zona Sul, no mesmo bairro.

A menina de 14 anos disse que pretendia ir para Brasília fugida, mas acabou sendo convencida pela amiga a vir para Natal, onde teria seu total apoio. Pérola, por sua vez, declarou que não tinha ido à Fortaleza para buscar a adolescente. Ela informou que já estava na capital cearense a passeio e acabou marcando para encontrar a amiga na rodoviária.

Mesmo se tratando de uma adolescente menor de idade, o delegado Wanderley Alves decidiu não indiciar a natalense Pérola por nenhum crime. “Ficou claro nos depoimentos que a menina veio por livre e espontânea vontade. De qualquer forma, fizemos o registro da ocorrência e isso será encaminhado para a Delegacia da Criança e do Adolescente, que decidirá o que fazer”, informou.

O pai da adolescente, o cearense João Batista falou sobre os relacionamentos virtuais da filha. “Minha filha estava morando com a mãe e com a avó e esse era um dos motivos das constantes discussões entre elas. A gente pedia que ela não ficasse o dia todo no computador, mas ela queria passar horas na internet, talvez conversando com essas pessoas”, avalia João Batista.

Adolescentes se sentem invencíveis
A reportagem conversou com a psiquiatra Dânia Barbosa que tem atuado em Natal no campo de atendimento a adolescente e explicou como funciona a cabeça dos que adotam esse tipo de atitude. “Adolescentes, geralmente, sentem-se invencíveis e acham que nada de mau vai acontecer com eles. Por isso, jogam-se em aventuras como essa”.

Dânia afirma que, atualmente, atende a um menino natalense que fugiu para Manaus após começar um namoro pela internet. “Para eles, os relacionamentos virtuais são bem mais simples e mais práticos. Nessa fase da vida, os adolescentes apresentam alguns problemas fisiológicos e, por isso, passam por transformações, o que faz com que se sintam mais a vontade com relacionamentos virtuais”, destaca a psiquiatra.

Ainda de acordo com Dânia Barbosa, a geração atual já tem uma tendência a passar muito tempo conectada a internet. “Isso é perigo, porque pela impulsividade da idade, eles não têm noção dos riscos. Então, cabe aos pais conversar mais com os filhos e ter um pouco mais de controle”.

Apesar disso, a psiquiatra lembra que controlar não significar impedir o adolescente de exercer as atividades que gosta. “A chave é o diálogo e saber dosar os limites entre proibição e liberação. Além disso, os pais precisam entender a fase que os adolescentes estão passando”, completa. 

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