Natal, Rio Grande do Norte, 04 de Julho de 2020

A guilhotina do Mosquito e a sentença decretada pelo terror

Uma comunidade criada por pescadores que se tornou o mais macabro celeiro da morte em Natal

Sérgio Costa   04/04/2020 às 14h52   -  Atualizada em 04/04/2020 às 17h11

Foto : Cedida

Aquele pequeno povoado conhecido nos anos 60 como "Mosquito da beira do rio", era formado principalmente por pescadores que escolheram se instalar as margens do rio Potengi para uma sobrevivência sofrida e dura que existe até hoje. O aposentado João Maria de Góis, de 64 anos fala de uma infância marcada por trabalho e diversões ao final do dia pulando a base férrea da ponte até as águas daquele que banha e separa a inseparável cidade. Era um tempo bem longe de uma realidade violenta e de conceitos baseados no terror.

 

Hoje a comunidade se chama Mosquito, ela está situada as margens da avenida Felizardo Moura entre os bairros das Quintas e Nordeste. Nos últimos cinco anos o endereço passou a apresentar um comportamento que despertou o medo da população lá existente e a atenção das autoridades da segurança pública. Uma série de assassinatos e de ações criminosas passou a ocorrer no local, ações essas patrocinadas por facções surgidas há menos de 15 anos no Rio Grande do Norte, bandidos que passaram a seguir regras de uma organização paulista e outros que resolveram criar uma nova de origem potiguar. PCC (Primeiro Comando da Capital) e Sindicato do RN.

As disputas pela conquista de territórios para o domínio do tráfico de drogas passaram a gerar grandes conflitos, outras comunidades entraram na mesma guerra que até hoje é a maior razão para o alarmante número de assassinatos registrados no Estado. Porém no Mosquito, onde uma dessas facções impõe a lei do horror, os integrantes agem de maneira muito peculiar para mostrar o poder e o ódio pelos inimigos, aqueles que de alguma maneira são capturados por eles acabam decapitados e a cabeça exposta como troféu.

A polícia não tem ao certo quantas pessoas foram executadas e submetidas a crueldade, muitas vítimas desaparecem em meio ao mangue e nunca surgem na estatística do ITEP. Na noite desta sexta-feira (03), na comunidade vizinha e rival, a Beira Rio, um grupo de criminosos deixou uma bolsa contendo uma cabeça humana, testemunhas afirmaram que os indivíduos gritavam a sigla da facção que pertencem.

Uma outra característica das facções é garantir a rotatividade financeira através de roubos, com isso a polícia investe de maneira soberana e imparcial cumprindo o dever de manter a ordem e assegurar a lei, mas em quase todas incursões na comunidade é recebida a tiros provocando o revide, dezenas de criminosos morreram em confronto com as forças de segurança do Estado.

Armas e drogas parecem brotar do manguezal. A DHPP (Divisão de Homicídios e Proteção a Pessoa) investiga assassinatos de pessoas que surgem boiando no rio Potengi, corpos sem cabeça que quase sempre demoram a ser identificados, cenas flagradas muitas vezes por quem trafega na ponte velha, imagens que substituem um tempo onde morar no mosquito não era sinônimo de medo e sim de paz.

 

 

 

 

 

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