Secretaria de Segurança impede que servidores do Sistema Penitenciário concedam entrevista

Publicado em 20/03/2015 às 15h22

 A Secretaria de Segurança Pública, através de sua assessoria de comunicação, emitiu uma recomendação impedindo que os servidores do Sistema Penitenciário do Rio Grande do Norte concedam entrevista. Todas as informações, de acordo com a assessoria, devem ser concentradas na digníssima secretária Kalina Leite. Ou seja, os demais servidores não podem apresentar a realidade do seu trabalho.

Nesta sexta-feira, por exemplo, nós do Portal BO tentamos pela quarta vez uma vez entrevistar a diretora de Alcaçuz, Dinorá Simas, que sempre foi muito solicita e sempre falou o que tinha para falar. Agora, Dinorá não pode conceder entrevista, pois teme essa recomendação da Sesed.

Se ela e os outros agentes penitenciários ou policiais militares que trabalham diretamente nas unidades não podem falar sobre o que acontece nas unidades, quem pode? De acordo com a Sesed, só a secretária pode responder no momento. Inclusive, em um horário pré-estabelecido e limitado, das 17h às 17h30.

Nós da imprensa entendemos que, nem sempre, um oficial, um agente, um servidor, pode falar em público sobre determinadas situações sem consultar seus superiores. Mas o que não pode é esses servidores ou gestores de unidades terem seu direito de falar repreendido.

Assim como o assessor de imprensa da Sesed, que é um tenente do Corpo de Bombeiros, assim como a secretária de Segurança, que é uma delegada da Polícia Civil, Dinorá e outros gestores da Segurança e Sistema Penitenciário são servidores PÚBLICOS do Estado. Eles não só devem ter a liberdade como a obrigação de apresentar a realidade do seu trabalho.

Não vivemos em um reinado ou em uma ditadura em que só os “generais” e “reis” podem abrir a boca.

Quem tem que mandar em presídio é o Estado e não presos, OAB ou a mãe Joana

Publicado em 18/03/2015 às 15h13

 A crise que se instalou no Sistema Penitenciário do Rio Grande do Norte, ao contrário do que se comenta e se informa, não começou na semana passada, nem no mês passado, nem no ano passado. Essa crise é antiga, velha e batida. Ela acontece por um único motivo: o Estado nunca quis ou nunca teve competência para mandar nos presídios.

É isso mesmo, senhores. Os governantes sempre esconderam aquilo que consideram como “lixo” debaixo do tapete. Construir cadeias nunca rendeu voto em nenhum lugar do mundo. Pelo contrário, a população de determinado bairro ou cidade faz protesto para não ter um presídio em sua área, então, qual governo que vai trabalhar contra seu eleitorado? Nenhum.

Acontece que toda sociedade está pagando um preço alto, muito alto, por anos e mais anos sem investimentos no Sistema Penitenciário, seja em efetivo ou em equipamentos e unidades. Nos últimos dias, após rebeliões, todo o Estado pôde ver na mídia aquilo que é o interior de uma unidade prisional.

Os agentes penitenciários, que têm a segunda profissão mais perigosa do mundo, convivem diariamente dentro de um caldeirão. Assim como na nossa casa, nós só corremos para apagar o fogo que alimenta o caldeirão quando ele começa a ferver, não é verdade?

Assim é o Sistema Penitenciário. Basta a temperatura esquentar, o caldeirão ferver e pronto, está montado o circo. O que o Governo do Estado precisa definitivamente entender é que quem manda nos presídios é o próprio Estado.

Está mais do que na hora dos políticos criarem vergonha na cara e investirem em novos presídios, mais agentes penitenciários, mais armamento, mais segurança, mais ressocialização, mais tecnologia e mais inteligência no Sistema Penitenciário. Muitas dessas medidas, é verdade, podem não render votos, mas rendem paz para um Estado. Investir em ressocialização, por exemplo, é evitar que criminosos voltem para as ruas como criminosos e não como cidadãos dispostos a recomeçarem.

O Governo precisa entender que tem o poder de intervir, de ordenar, de definir estratégias, de tomar as rédeas das unidades, coisa que nunca deveria ter perdido, é ele. Quem tem que mandar nos presídios não são os presos, não é a Ordem dos Advogados, o Direitos Humanos e nem a “mãe Joana”. Quem tem que mandar e quem pode de fato mandar no Sistema Penitenciário é o Estado.

Arrombar caixa eletrônico no interior é tão fácil quanto roubar pirulito de criança

Publicado em 09/02/2015 às 11h39

Foto: Cedida

 O cidadão comum vai a qualquer banco pagar uma conta ou sacar dinheiro e é obrigado a enfrentar filas. Além disso, os sistemas funcionam em horário limitado impedindo algumas transações à noite ou finais de semana. Mas, para a bandidagem, arrombar caixa eletrônico em cidades do interior é tão fácil quanto roubar pirulito de criança.

Isso ocorre por dois motivos. Primeiro, não há policiamento de vergonha em 90% das cidades do interior. São três, quatro ou cinco PMs, no máximo, para cuidar da segurança dos moradores, dos bens públicos e privados também e ainda manter a ordem. Segundo, a maioria dos caixas eletrônicos é instalada em locais que não atendem medidas mínimas de segurança.

Alguns, funcionam dentro de estabelecimentos comerciais. Outros em prédios simples, sem reforço em sua estrutura física. Até terminal bancário com porta de rolo se encontra no interior. Os próprios bancos vacilam na segurança e, claro, sofrem prejuízo semanalmente.

Mas, o prejuízo maior quem sofre é a população. Além do risco de ter sua cidade invadida por bandidos fortemente armados durante a madrugada, uma agência que é explodida tem levado meses para ser reestruturada e voltar a atender as pessoas.

Em algumas cidades que tiveram seus bancos destruídos por explosivos, os moradores precisam se deslocar todos os meses para municípios vizinhos, para poderem sacar salários, aposentadorias ou simplesmente pagar algumas contas.

O arrombamento de caixas eletrônicos é, talvez, a modalidade de crime mais fácil para os bandidos, atualmente. Se não é a mais fácil, pelo menos é a mais tranquila. Os assaltantes têm garantia total de que não serão “perturbados” durante suas ações no interior.

Reforço de PMs nas ruas anunciado pelo Governo não teve efeito para reduzir homicídios

Publicado em 22/01/2015 às 14h04

Foto: Thyago Macedo / Portal BO

 Robinson Faria entrou com a promessa de que será o governador da Segurança Pública e de que vai transformar o Rio Grande do Norte em um dos estados mais seguros do Brasil. Eu, de verdade, acredito que ele possa concretizar esse desejo, basta realmente querer e viabilizar os recursos necessários para isso. Por enquanto, tudo continua como antes. Aliás, ao que parece, o número de homicídios tem até crescido nesses primeiros dias de 2015.

Logo no primeiro dia de governo, Robinson e a cúpula da segurança pública foram para a imprensa anunciar reforço imediato no policiamento ostensivo nas ruas de Natal e grande Natal. Anunciando investir em diárias operacionais para atrair os PMs ao serviço extra e bem como recolando nas ruas os policiais cedidos a outros órgãos, o Governo do Estado pretendia dar uma resposta imediata.

Até o momento, infelizmente, esse plano emergencial não teve nenhum efeito prático. O Rio Grande do Norte, em especial a região metropolitana, sofre com números alarmantes de homicídios. Até esta quinta-feira, dia 22, são aproximadamente 110 pessoas assassinadas, uma média de cinco por dia.

Por que isso acontece? A resposta é muito simples. O reforço imediato de mais policiais militares nas ruas está muito, mas muito longe do ideal. 300, 400 ou 1.000 homens a mais de serviço ainda é muito pouco. A Polícia Militar teve uma grande defasagem de policiais ao longo dos últimos anos. A população cresceu, o tráfico de drogas cresceu, os homicídios cresceram, enquanto o efetivo da PM encolheu.

Aliado a isso está a sensação de impunidade. Se a Polícia Militar tem déficit de policiais, a Polícia Civil praticamente definhou. Os bandidos fazem o que fazem, assaltam e matam livremente, porque perderam o respeito pela polícia. Eles sabem que podem matar a vontade que dificilmente vão se deparar com um PM na rua e, mais dificilmente, serão alvo de uma investigação policial efetiva, tendo em vista que, sem homens e sem estrutura, a Polícia Civil elucida poucos casos de homicídio em nosso Estado.

A verdade é que se Robinson Faria quer ser o governador da Segurança Pública terá que focar principalmente na redução das mortes violentas. Para quem não sabe, o medidor de insegurança em qualquer lugar do mundo é a quantidade de mortes. Por enquanto, com a sequência de assassinatos registrados todos os dias, o RN continua sim como um dos estados mais inseguros do Brasil.

 

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