Penitenciária de Alcaçuz precisa ser interditada, esvaziada e reconstruída

Publicado em 27/04/2015 às 16h45

Foto: Thyago Macedo / Portal BO

 Construída em 1998 para ser um modelo de segurança e a maior unidade prisional do Rio Grande do Norte, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz Francisco Nogueira Fernandes é hoje o maior problema do Sistema Penitenciário potiguar. Ao contrário de segurança máxima, a cadeia sofre com constantes fugas e descoberta de túneis e isso não é de hoje, não é só por causa das rebeliões registradas em março passado.

Nos últimos 10 anos, Alcaçuz sofreu com depredação e falta de investimento público, tornando-se um prédio antigo e de segurança frágil. Por esse motivo, acredito que a Penitenciária de Alcaçuz deve ser interditada, esvaziada e reconstruída.

Uma simples reforma não vai resolver o problema de Alcaçuz, porque trocadilho a parte, o buraco é mais embaixo. Colocar grades nos lugares, tapar buracos com cimento e areia e rebocar paredes não vai resolver o problema.

Para quem não sabe, quando foi inaugurada, a Penitenciária de Alcaçuz recebeu os presos mais perigosos do Estado, aqueles que estavam no famoso “Caldeirão do Diabo”. Mesmo assim, ela conseguiu se tornar um modelo, com projetos sociais e de ressocialização e, durante um bom tempo, foi sinônimo de calmaria.

Mas, com aumento da população carcerária e inércia dos governantes, não há estrutura física que resista ao desgaste do tempo e mau uso. O resultado é que Alcaçuz chegou ao limite total de depredação e falta de segurança. Um novo modelo de gestão precisa ser implementado na unidade.

É preciso destinar recursos para reconstruir aquele presídio, que tem população carcerária em torno de 900 homens. É preciso reconstruir paredes e pisos que impeçam escavação. É preciso investir em equipamentos de fiscalização eletrônica, como câmeras de vigilância nos corredores dos pavilhões, nas áreas sociais e máquinas de raio-x para impedir entrada de materiais ilícitos.

Alcaçuz ainda pode sim ser aproveitada como um grande presídio do RN. Mas, de reparo em reparo, como tem sido feito, a Penitenciária continuará sendo uma grande preocupação para a sociedade potiguar. Hoje, um preso perigoso, com condenação de 30, 60, 100 anos de prisão, faz questão de ficar detido em Alcaçuz, pois sabe que a chance de escapar é maior.

Ou o atual Governo age diferente dos passados ou o futuro do Sistema Penitenciário será igual ou pior que o presente.

Cansada de impunidade, sociedade aplaude ação da polícia que deixou sete mortos

Publicado em 29/03/2015 às 17h50

 O dia deste domingo começou com a notícia da morte de sete suspeitos de assaltos em um confronto com a polícia, na entrada da cidade de Currais Novos. Rapidamente, a informação tomou conta das redes sociais, sendo compartilhada no WhatsApp, inclusive, com imagens dos mortos. O detalhe é que a maioria, digo a maioria mesmo, “comemorou” a ocorrência.

Quem acompanha as redes sociais, como Facebook, ou quem parar para ler os comentários nas notícias postadas nos veículos de comunicação, como este Portal BO, verá as pessoas parabenizando os policiais da Deicor e do BOPE que participaram da Operação Hefesto e aplaudindo o desfecho.

Alguém pode dizer: quem comemora sete mortes está incentivando a violência. Mas, na verdade, o sentimento da sociedade em uma ação como essa é de punição ao crime organizado e a bandidagem.

A população como um todo está cansada de ser vítima da violência empregada pelos marginais diariamente nas ruas. Não temos mais liberdade para conversar com o vizinho na calçada, não nos sentimos seguros em chegar ou sair de um restaurante tarde da noite. Os bandidos estão soltos e deixaram de temer até mesmo a polícia.

Os criminosos agem com a certeza da impunidade, pois sabem que, quando vão presos, não ficam muito tempo atrás das grades. A sociedade está cansada, muito cansada de impunidade.

Por esse motivo, operações como a deste domingo, que terminou com sete mortos, talvez passe para as pessoas a sensação de “justiça” que tanto se espera e de enfrentamento aos bandidos.

Estado envia presos para o interior, não manda suprimentos e agentes fazem "vaquinha"

Publicado em 24/03/2015 às 18h43

Foto: Cedida

Nesta terça-feira (24), a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania transferiu 30 presos de Natal para o CDP de Apodi, unidade que foi reconstruída recentemente, pelos próprios detentos, e é considerada modelo. No entanto, o Estado não enviou nenhum tipo de suprimentos para a unidade atender a essa nova demanda.

De acordo com os agentes, para manter o padrão de controle e tranquilidade dentro do Centro de Detenção Provisória, os agentes penitenciários tiveram que sair de porta em porta no comércio de Apodi pedindo doações.

“Não é nosso papel, mas para manter a ordem e o modelo humanizado que aplicamos no CDP de Apodi, o agente Airton Lucena e eu tivemos que ir em busca desses suprimentos para os presos. Se esses detentos vieram de Natal, que está em crise, não podemos permitir que eles se revoltem aqui na nossa unidade, que é conhecida pela tranquilidade e ressocialização”, comenta o agente Márcio Morais, diretor do Centro de Detenção.

E Márcio está certo. Se os presos de Apodi recebem condições mínimas para se manterem atrás das grades, coisa que o Estado não oferece em outras unidades, é natural que os novos “hóspedes”, todos da capital, necessitem receber o mesmo atendimento.

Não se trata de questão de pena dos presos ou benevolência com criminosos. Trata-se única e exclusivamente da manutenção da ordem em uma unidade que já vive em paz. O que os agentes conseguiram para os presos, nesta terça-feira, foram somente sabonetes, creme dental e escovas de dente.

Alguns podem criticar essa ação dos agentes, mas se todas as unidades prisionais do Estado tivessem o mínimo de humanização, nós caminharíamos para o passo importante da ressocialização. O que se faz hoje é trancar criminosos em cadeias deterioradas, insalubres e que fazem com que eles não tenham nenhuma perspectiva de mudar de vida, de tentarem ser pessoas melhores. Acabam voltando para as ruas piores do que entraram.
 

Presença da Força Nacional não inibe criminosos e matança continua no RN

Publicado em 23/03/2015 às 18h56

Foto: Thyago Macedo / Portal BO

 O movimento nos presídios passou, os presos se acalmaram, os atentados a ônibus já não preocupam, mas uma coisa não mudou no Rio Grande do Norte: a matança. Nos últimos dias, o Estado voltou a registrar números altos de homicídios, tanto na região Metropolitana de Natal como no interior.

Nem mesmo a presença da Força Nacional em solo potiguar é motivo de intimidação para os criminosos. Na sexta-feira, sábado e domingo foram aproximadamente mais de 15 casos de mortes violentas registrados pelo ITEP, somente em Natal e Grande Natal. Se contabilizados os crimes do interior, o número de registro de mortes violentas passa de 20. Isso em um único final de semana.

Já nesta segunda-feira, a matança continua. No início da manhã, um homem foi encontrado morto em Ceará-Mirim e, no final da manhã, um homem foi executado na Praia do Meio.

Alguns de vocês que estão lendo essa coluna vão dizer: Ah, mas a Força Nacional foi chamada ao Rio Grande do Norte para resolver a questão dos presos e dos atentados aos ônibus. E é verdade. Acontece que a Força Nacional é a equipe mais bem preparada no Brasil para conter violência em qualquer estado.

Quando a coisa aperta, o reforço é enviado. Para quem não sabe, a Força Nacional já atua no Rio Grande do Norte, muito antes da vinda desse reforço na semana passada. Uma equipe especial atua aqui em investigação de homicídios.

O que eu quero dizer é que nem mesmo a presença dos homens da Força Nacional circulando pelas ruas de Natal e Grande Natal, até mesmo com aparato de helicópteros, foi suficiente para assustar os criminosos. Pela ordem natural das coisas, eles deveriam se acuar, e só voltarem a “trabalhar” quando a rotina fosse reestabelecida.

No entanto, cada dia mais parece que os bandidos não têm mais medo da polícia. A quantidade de homicídios no final de semana é a prova disso. Criminosos saem às ruas para matar tranquilamente, sem se preocuparem se vão se deparar com a PM, a Força Nacional ou o Exército.

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