Cansada de impunidade, sociedade aplaude ação da polícia que deixou sete mortos

Publicado em 29/03/2015 às 17h50

 O dia deste domingo começou com a notícia da morte de sete suspeitos de assaltos em um confronto com a polícia, na entrada da cidade de Currais Novos. Rapidamente, a informação tomou conta das redes sociais, sendo compartilhada no WhatsApp, inclusive, com imagens dos mortos. O detalhe é que a maioria, digo a maioria mesmo, “comemorou” a ocorrência.

Quem acompanha as redes sociais, como Facebook, ou quem parar para ler os comentários nas notícias postadas nos veículos de comunicação, como este Portal BO, verá as pessoas parabenizando os policiais da Deicor e do BOPE que participaram da Operação Hefesto e aplaudindo o desfecho.

Alguém pode dizer: quem comemora sete mortes está incentivando a violência. Mas, na verdade, o sentimento da sociedade em uma ação como essa é de punição ao crime organizado e a bandidagem.

A população como um todo está cansada de ser vítima da violência empregada pelos marginais diariamente nas ruas. Não temos mais liberdade para conversar com o vizinho na calçada, não nos sentimos seguros em chegar ou sair de um restaurante tarde da noite. Os bandidos estão soltos e deixaram de temer até mesmo a polícia.

Os criminosos agem com a certeza da impunidade, pois sabem que, quando vão presos, não ficam muito tempo atrás das grades. A sociedade está cansada, muito cansada de impunidade.

Por esse motivo, operações como a deste domingo, que terminou com sete mortos, talvez passe para as pessoas a sensação de “justiça” que tanto se espera e de enfrentamento aos bandidos.

Estado envia presos para o interior, não manda suprimentos e agentes fazem "vaquinha"

Publicado em 24/03/2015 às 18h43

Foto: Cedida

Nesta terça-feira (24), a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania transferiu 30 presos de Natal para o CDP de Apodi, unidade que foi reconstruída recentemente, pelos próprios detentos, e é considerada modelo. No entanto, o Estado não enviou nenhum tipo de suprimentos para a unidade atender a essa nova demanda.

De acordo com os agentes, para manter o padrão de controle e tranquilidade dentro do Centro de Detenção Provisória, os agentes penitenciários tiveram que sair de porta em porta no comércio de Apodi pedindo doações.

“Não é nosso papel, mas para manter a ordem e o modelo humanizado que aplicamos no CDP de Apodi, o agente Airton Lucena e eu tivemos que ir em busca desses suprimentos para os presos. Se esses detentos vieram de Natal, que está em crise, não podemos permitir que eles se revoltem aqui na nossa unidade, que é conhecida pela tranquilidade e ressocialização”, comenta o agente Márcio Morais, diretor do Centro de Detenção.

E Márcio está certo. Se os presos de Apodi recebem condições mínimas para se manterem atrás das grades, coisa que o Estado não oferece em outras unidades, é natural que os novos “hóspedes”, todos da capital, necessitem receber o mesmo atendimento.

Não se trata de questão de pena dos presos ou benevolência com criminosos. Trata-se única e exclusivamente da manutenção da ordem em uma unidade que já vive em paz. O que os agentes conseguiram para os presos, nesta terça-feira, foram somente sabonetes, creme dental e escovas de dente.

Alguns podem criticar essa ação dos agentes, mas se todas as unidades prisionais do Estado tivessem o mínimo de humanização, nós caminharíamos para o passo importante da ressocialização. O que se faz hoje é trancar criminosos em cadeias deterioradas, insalubres e que fazem com que eles não tenham nenhuma perspectiva de mudar de vida, de tentarem ser pessoas melhores. Acabam voltando para as ruas piores do que entraram.
 

Presença da Força Nacional não inibe criminosos e matança continua no RN

Publicado em 23/03/2015 às 18h56

Foto: Thyago Macedo / Portal BO

 O movimento nos presídios passou, os presos se acalmaram, os atentados a ônibus já não preocupam, mas uma coisa não mudou no Rio Grande do Norte: a matança. Nos últimos dias, o Estado voltou a registrar números altos de homicídios, tanto na região Metropolitana de Natal como no interior.

Nem mesmo a presença da Força Nacional em solo potiguar é motivo de intimidação para os criminosos. Na sexta-feira, sábado e domingo foram aproximadamente mais de 15 casos de mortes violentas registrados pelo ITEP, somente em Natal e Grande Natal. Se contabilizados os crimes do interior, o número de registro de mortes violentas passa de 20. Isso em um único final de semana.

Já nesta segunda-feira, a matança continua. No início da manhã, um homem foi encontrado morto em Ceará-Mirim e, no final da manhã, um homem foi executado na Praia do Meio.

Alguns de vocês que estão lendo essa coluna vão dizer: Ah, mas a Força Nacional foi chamada ao Rio Grande do Norte para resolver a questão dos presos e dos atentados aos ônibus. E é verdade. Acontece que a Força Nacional é a equipe mais bem preparada no Brasil para conter violência em qualquer estado.

Quando a coisa aperta, o reforço é enviado. Para quem não sabe, a Força Nacional já atua no Rio Grande do Norte, muito antes da vinda desse reforço na semana passada. Uma equipe especial atua aqui em investigação de homicídios.

O que eu quero dizer é que nem mesmo a presença dos homens da Força Nacional circulando pelas ruas de Natal e Grande Natal, até mesmo com aparato de helicópteros, foi suficiente para assustar os criminosos. Pela ordem natural das coisas, eles deveriam se acuar, e só voltarem a “trabalhar” quando a rotina fosse reestabelecida.

No entanto, cada dia mais parece que os bandidos não têm mais medo da polícia. A quantidade de homicídios no final de semana é a prova disso. Criminosos saem às ruas para matar tranquilamente, sem se preocuparem se vão se deparar com a PM, a Força Nacional ou o Exército.

Secretaria de Segurança impede que servidores do Sistema Penitenciário concedam entrevista

Publicado em 20/03/2015 às 15h22

 A Secretaria de Segurança Pública, através de sua assessoria de comunicação, emitiu uma recomendação impedindo que os servidores do Sistema Penitenciário do Rio Grande do Norte concedam entrevista. Todas as informações, de acordo com a assessoria, devem ser concentradas na digníssima secretária Kalina Leite. Ou seja, os demais servidores não podem apresentar a realidade do seu trabalho.

Nesta sexta-feira, por exemplo, nós do Portal BO tentamos pela quarta vez uma vez entrevistar a diretora de Alcaçuz, Dinorá Simas, que sempre foi muito solicita e sempre falou o que tinha para falar. Agora, Dinorá não pode conceder entrevista, pois teme essa recomendação da Sesed.

Se ela e os outros agentes penitenciários ou policiais militares que trabalham diretamente nas unidades não podem falar sobre o que acontece nas unidades, quem pode? De acordo com a Sesed, só a secretária pode responder no momento. Inclusive, em um horário pré-estabelecido e limitado, das 17h às 17h30.

Nós da imprensa entendemos que, nem sempre, um oficial, um agente, um servidor, pode falar em público sobre determinadas situações sem consultar seus superiores. Mas o que não pode é esses servidores ou gestores de unidades terem seu direito de falar repreendido.

Assim como o assessor de imprensa da Sesed, que é um tenente do Corpo de Bombeiros, assim como a secretária de Segurança, que é uma delegada da Polícia Civil, Dinorá e outros gestores da Segurança e Sistema Penitenciário são servidores PÚBLICOS do Estado. Eles não só devem ter a liberdade como a obrigação de apresentar a realidade do seu trabalho.

Não vivemos em um reinado ou em uma ditadura em que só os “generais” e “reis” podem abrir a boca.

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