Enquanto vários PMs atuam em desvio de função, Sesed vai diminuir efetivo do Proerd e Ronda Escolar

Publicado em 19/06/2015 às 14h51

Comunidade escolar fará mobilização na próxima segunda, às 10h, em prol do Proerd e Ronda Escolar.

 Um dos projetos mais bonitos e importantes da Polícia Militar do Rio Grande do Norte é o Proerd, que tem como uma das ramificações o Ronda Escolar. Ações de combate à violência na raiz do problema, na prevenção, sempre representam o melhor caminho para a segurança pública. Mas, parece que não é esse o entendimento da atual secretária de Segurança Pública do Estado, a senhora Kalina Leite.

Nesta semana, ela enviou uma determinação para a Companhia Independente de Prevenção ao Uso de Drogas (Cipred), pedindo a devolução de 25 policiais militares que atuam nesses projetos, para que eles sejam recolados em outros setores. De acordo com o comando do Cipred, a determinação informa que os policiais devem deixar a unidade na próxima semana.

Esse é um dos maiores absurdos que já vi na segurança pública do RN nos últimos anos. Se temos projetos que não poderiam sofrer alterações em hipótese alguma eram justamente esses dois: Proerd e Ronda Escolar.

Nesta sexta-feira, recebi uma ligação da tenente-coronel Margarida, talvez a policial militar feminina mais conhecida do Estado, justamente pelo seus esforços e dedicação em prevenir o uso das drogas. Foi triste ouvir o tom desesperador em que a tenente-coronel relatou que iria perder parte do seu efetivo.

Foi triste porque Margarida, assim como sua equipe, atua junto às crianças e adolescentes por amor. São policiais diferenciados, que trabalham o social de maneira efetiva. “A polícia de proximidade que todo mundo sonha, nós temos aqui no Cipred. E agora fomos pegos de surpresa com essa medida da Sesed em reduzir nosso efetivo que já não dá conta da demanda de aproximadamente 600 escolas que temos que atender”, explica.

De acordo com a tenente-coronel, o Cipred atua em 52 municípios, tendo 100 policiais para o Proerd e mais 100 para o Ronda Escolar. “São 13 anos de dedicação, dia e noite, e conseguimos avanços e conquistas inimagináveis junto à sociedade. Quem atesta isso são dados e as próprias pessoas envolvidas, como alunos, professores, coordenadores e pais”, completou.

A Cipred, através das ações do Proerd E Ronda Escolar, atua na prevenção ao uso de drogas e a violência, a paz e segurança tão necessária dentro das escolas e nos entornos.

O curioso é que a Secretaria Estadual de Segurança Pública quer redistribuir policiais militares do Cipred para atuarem em outras áreas em um “novo planejamento de segurança”, mas não retira os PMs que estão atuando em desvio de função em outros órgãos fora da instituição Polícia Militar, como ITEP ou TJRN, por exemplo.

Eu, sinceramente, assim como a maioria da população potiguar, quis acreditar que esse novo Governo poderia sim resgatar a segurança pública do Rio Grande do Norte, mas, atitudes como esta nos fazem crer que teremos mais do mesmo, nos próximos quatro anos.

População não quer presídios em sua cidade, mas quer que polícia prenda bandidos

Publicado em 28/05/2015 às 10h06

Foto: Thyago Macedo / Portal BO

 O Rio Grande do Norte vive um dilema: as pessoas pedem e repetem a todo momento que a polícia precisa prender mais bandidos, mas, por outro lado, ninguém quer o Estado construa presídio em sua cidade. E, agora, para onde serão levados os presos potiguares?

Se Miguel Mossoró fosse o governador, talvez ele construísse aquela ponte ligando Natal a Fernando de Noronha e no meio do caminho construísse um presídio em alto mar. Seria realmente interessante...

Recentemente, os políticos e moradores de Ceará-Mirim fizeram barulho para evitar que as obras de uma Cadeia Pública fossem iniciadas na cidade. As obras até começaram, mas já foram suspensas judicialmente por causa de um imbróglio envolvendo o terreno, que havia sido dado pela Prefeitura e, depois, o prefeito quis tomar para que a cadeia não fosse construída e, agora, parece que o terreno nem da Prefeitura era.

Agora, o Estado corre o risco de perder uma verba federal de R$ 14,7 milhões porque as obras não estão sendo executadas.

Nesta quarta-feira (27), os vereadores de Parnamirim aprovaram um projeto de lei que proíbe a construção de presídios no perímetro urbano do município. Com certeza, os representantes da Câmara Municipal de Parnamirim estão fazendo isso para antecipar o discurso eleitoral, caso o Governo fosse, futuramente, construir uma cadeia na cidade.

O argumento dos vereadores é que a lei é para garantir a segurança da população. Ora, então quer dizer que a população se sente mais segura com bandidos soltos do que com bandidos presos?

O que a população precisa entender é que presídio é um “mal” necessário. Infelizmente, ou se constrói cadeias novas ou a violência irá sim aumentar. Entendo que os moradores de uma cidade se preocupam com os índices de fugas, mas isso acontece justamente porque as atuais cadeias do RN já estão entupidas de presos e suas estruturas não comportam mais nenhum detento.

O déficit no sistema penitenciário é de mais de três mil vagas. Se novas cadeias não forem construídas urgentemente, não vai ter quem segure a criminalidade em nosso Estado. Mas, se pensarmos bem, talvez seja isso que a maioria dos políticos queiram mesmo. É a velha teoria do quanto pior melhor.

Segurança Pública do RN: Kalina e o país das maravilhas

Publicado em 26/05/2015 às 14h04

Foto: Thyago Macedo / Portal BO

 A atual secretária de Segurança Pública, a delegada Kalina Leite, tem constantemente divulgado na imprensa números e mais números que mostram a redução da criminalidade no Rio Grande do Norte. De acordo com ela, as taxas de homicídios caíram e os assaltos diminuíram. As estatísticas da Sesed, na teoria, mostram um avanço na segurança. Mas, na prática, não é isso que a população está sentido.

Diariamente, são assaltos e mais assaltos. Seja em via pública, restaurantes, bares, postos de saúde, ônibus ou até mesmo trancada dentro de casa, a população não se sente segura e nem muito menos sente essa redução da violência dita pela secretária Kalina Leite. Na prática, a sensação de insegurança é a mesma, ouso dizer que até crescente.

A prova disso é o conflito de dados entre a Secretaria de Segurança e o Sindicato dos Rodoviários, por exemplo. Este afirma que neste ano de 2015 já são mais de 200 ônibus assaltados. Somente na noite desta segunda-feira, foram três casos registrados. Mas, para a Sesed, foram apenas 122 assaltos, o que representaria uma redução de 50%.

Não contesto os números apresentados pela Secretaria de Segurança e espero realmente que os índices de criminalidade diminuam no Estado. Porém, também não contesto os números do Sindicato dos Rodoviários e, muito menos, não contesto o clamor social por mais segurança.

Quem usa as redes sociais, por exemplo, percebe que a população, na prática, não está sentindo essa redução da violência. As pessoas, no momento, não querem saber de números e de estatísticas. As pessoas querem poder viver suas vidas com o mínimo de tranquilidade possível. Querem poder abrir a porta de casa, encontrar um vizinho varrendo a calçada, e conversar sobre a vida. Querem sentar com os amigos em um bar sem precisarem ficar tensos. Querem esperar um ônibus e chegar em casa sem perder seu celular ou o dinheiro do pão e do café.

A secretária Kalina Leite, teoricamente, é uma grande conhecedora da Segurança Pública, pois é delegada de carreira da Polícia Civil. Posso estar errado, mas, às vezes, tenho a sensação de que excelentíssima delegada ainda não atentou para a real situação do povo potiguar no que diz respeito à segurança.

Kalina, pela sua elegância, sempre bem vestida e maquiada, e pelas suas características físicas, até lembra a Alice, do conto Alice no país das maravilhas. A secretária, por sinal, tem sido figura constante em colunas sociais e, sem dúvida, tem sido a auxiliar de Robinson Faria com mais destaque na imprensa desde o início do novo Governo.

Acontece que o Rio Grande do Norte está longe de ser o país das maravilhas de Alice, está longe de ser a terra dos sonhos. A secretária Kalina e o governador Robinson podem até sonhar com dias melhores. O que não podem, a meu ver, é continuarem sonhando, sonhando, sonhando e sonhando...

Penitenciária de Alcaçuz precisa ser interditada, esvaziada e reconstruída

Publicado em 27/04/2015 às 16h45

Foto: Thyago Macedo / Portal BO

 Construída em 1998 para ser um modelo de segurança e a maior unidade prisional do Rio Grande do Norte, a Penitenciária Estadual de Alcaçuz Francisco Nogueira Fernandes é hoje o maior problema do Sistema Penitenciário potiguar. Ao contrário de segurança máxima, a cadeia sofre com constantes fugas e descoberta de túneis e isso não é de hoje, não é só por causa das rebeliões registradas em março passado.

Nos últimos 10 anos, Alcaçuz sofreu com depredação e falta de investimento público, tornando-se um prédio antigo e de segurança frágil. Por esse motivo, acredito que a Penitenciária de Alcaçuz deve ser interditada, esvaziada e reconstruída.

Uma simples reforma não vai resolver o problema de Alcaçuz, porque trocadilho a parte, o buraco é mais embaixo. Colocar grades nos lugares, tapar buracos com cimento e areia e rebocar paredes não vai resolver o problema.

Para quem não sabe, quando foi inaugurada, a Penitenciária de Alcaçuz recebeu os presos mais perigosos do Estado, aqueles que estavam no famoso “Caldeirão do Diabo”. Mesmo assim, ela conseguiu se tornar um modelo, com projetos sociais e de ressocialização e, durante um bom tempo, foi sinônimo de calmaria.

Mas, com aumento da população carcerária e inércia dos governantes, não há estrutura física que resista ao desgaste do tempo e mau uso. O resultado é que Alcaçuz chegou ao limite total de depredação e falta de segurança. Um novo modelo de gestão precisa ser implementado na unidade.

É preciso destinar recursos para reconstruir aquele presídio, que tem população carcerária em torno de 900 homens. É preciso reconstruir paredes e pisos que impeçam escavação. É preciso investir em equipamentos de fiscalização eletrônica, como câmeras de vigilância nos corredores dos pavilhões, nas áreas sociais e máquinas de raio-x para impedir entrada de materiais ilícitos.

Alcaçuz ainda pode sim ser aproveitada como um grande presídio do RN. Mas, de reparo em reparo, como tem sido feito, a Penitenciária continuará sendo uma grande preocupação para a sociedade potiguar. Hoje, um preso perigoso, com condenação de 30, 60, 100 anos de prisão, faz questão de ficar detido em Alcaçuz, pois sabe que a chance de escapar é maior.

Ou o atual Governo age diferente dos passados ou o futuro do Sistema Penitenciário será igual ou pior que o presente.

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