Dois pesos e duas medidas: Enquanto delegado preso fica em cela especial, policial preso é colocado em CDP

Publicado em 10/09/2015 às 18h49

 A prisão de um Agente da Polícia Civil, nesta quarta-feira (9), mostrou mais uma vez a forma como a Delegacia Geral da Polícia Civil trata aqueles que fazem parte dos seus quadros: com dois pesos e duas medidas.

Enquanto o delegado Olavo Dantas, que está preso desde 8 de julho, aguarda o desenrolar de seu processo detido em uma cela sozinho, em uma delegacia, o policial civil Rossini Pinheiro foi colocado em uma cela no Centro de Detenção Provisória da Ribeira, onde estão dezenas de presos, na manhã desta quinta-feira (10).

Lembro que na época da prisão do delegado Olavo, a alegação da Degepol para ele não ser colocado em uma cadeia comum era que como profissional da segurança, sua própria segurança estaria comprometida ao se juntar a outros presos. Então, o mesmo argumento não vale para o policial Rossini ou vice-versa?

Não estou aqui defendendo o agente preso e muito menos o delegado. Os dois são investigados por crimes que supostamente cometeram e devem ficar presos o tempo que a Justiça entender necessário.

A crítica é ao tratamento diferenciado que a Sesed e a Degepol deram aos casos, claramente privilegiando o delegado Olavo. É por essas e outras que a Segurança Pública do nosso Estado está como está.

Ou vocês acham que em outras esferas também não há tratamento diferenciado? Será que o preso rico é tratado igual ao pobre? Será que a morte do rico é investigada igual a do pobre?

Crime organizado faz o que quer e Estado corre atrás do prejuízo

Publicado em 26/08/2015 às 13h06

 O Rio Grande do Norte viu, nos últimos dias, mais uma demonstração de força do crime organizado e de fraqueza das forças de segurança do Estado. Assim como no início do ano, presos voltaram a tocar terror dentro das unidades prisionais. Foram mortes, confrontos, rebeliões e destruição nas cadeias. Tudo isso provocado declaradamente por duas facções criminosas: o PCC e o Sindicato do RN.

As duas organizações atuam dentro e fora dos presídios há muito tempo, comandando tráfico de drogas, assaltos e assassinatos. E, a cada ação provocada dentro dos presídios, como as dessas últimas duas semanas, fica claro a força que o PCC e o Sindicato do RN desempenham, enquanto o Estado não apresenta a menor condição de controlar os criminosos, mesmo eles estando presos, sob custódia do próprio Estado.

Se presos os criminosos ainda fazem o que fazem, imagine os que estão soltos. Nesta terça-feira, 163 tiveram que ser transferidos de unidades prisionais. Os do PCC foram separados do Sindicato do RN.

Ora, se as forças de Segurança Pública não conseguem controlar um presídio e evitar que presos façam o que querem dentro das cadeias, isso é a assinatura de incompetência do Estado para lidar com o crime organizado.

Como sempre, as forças de segurança continuam "enxugando gelo", atuando pra remediar o caos. PCC e Sindicato do RN são muito mais fortes e organizados que a cúpula de segurança.

Essa, aliás, tem sido uma regra em todo Brasil.

As facções criminosos usam as unidades prisionais como escritórios para traçaram estratégias de ações, atuações e cada vez mais crescimento. E o que tem sido feito ao longo dos anos para evitar que isso aconteça? Nada, absolutamente nada!

Então, continuamos assim: o crime organizado fazendo o que quer o Estado correndo atrás do prejuízo!

A secretária de segurança se sente segura no RN; e você?

Publicado em 04/07/2015 às 11h57

Foto: Thyago Macedo

Nesta semana, em entrevista ao Bom Dia RN, da InterTV Cabugi, a secretária de segurança Kalina Leite foi questionada pelo jornalista Murilo Meireles se sente-se segura em nosso Estado. De pronto, a delegada da Polícia Civil respondeu que sim. Ela disse que por ter o privilégio de acompanhar de perto o mapa da violência pode se sentir mais segura.

Fiquei feliz em saber que pelo menos uma pessoa está vivendo tranquilamente no RN, porque a maioria da população, aqueles que andam de transportes coletivos, que não dispõem de segurança privada, não tem se sentido muito segura nos últimos tempos.

Você que está lendo esse texto se sente seguro no Rio Grande do Norte?

Também nesta semana lançamos aqui no Portal BO uma enquete sobre o sentimento da população em relação à segurança pública. Responda ao nosso questionário clicando neste link: http://portalbo.com/pages/enquete

Sabemos que a polícia está trabalhando. A Polícia Militar realmente está nas ruas, mas vale destacar que ela sempre esteve. A PM sempre realizou blitzen, abordagens a ônibus, operações, sempre prendeu criminosos. Isso não é novidade.

A atual gestão da Sesed não está fazendo nenhum trabalho inédito. Ao contrário disso, a Secretaria de Segurança Pública tem feito o básico, apenas o básico. A Polícia Militar realmente é para ir para a rua 24 horas por dia.

Os policiais militares, mesmo diante de dificuldades, de estrutura ou valorização profissional, nunca se furtaram de prestar um bom serviço ao longo dos últimos anos. Mas é pouco, muito pouco. E, por isso, a população sente na pele o efeito da insegurança.

A secretária Kalina Leite talvez esteja levando as críticas à sua gestão para o lado pessoal ou para o lado político, mas eu afirmo que o povo do Rio Grande do Norte não está interessado em saber se quem comanda a Sesed é A ou B, se é de partido de direita, de esquerda, de centro.

O que as pessoas querem de verdade é se sentirem seguras, assim como a senhora está se sentindo.
 

Redução da maioridade é palanque pra político esperto; população precisa conhecer a segurança pública

Publicado em 23/06/2015 às 19h05

Foto: Arquivo / Portal BO

Nas últimas semanas, as discussões em torno da redução da maioridade no Brasil se esquentaram com a possibilidade de o projeto ser votado e aprovado no Congresso Nacional. O assunto tomou conta dos principais veículos de comunicação e das redes sociais. Mas eu pergunto: você sabe realmente qual o sentido da redução da maioridade penal, já analisou todas as possibilidades, os prós e contras caso isso aconteça?

Pregam a redução da maioridade penal como a solução para boa parte da onda de violência que assola nosso país, que tira o nosso sono diariamente. Mas, eu lhes afirmo que a redução da maioridade penal nem de longe irá resolver o problema da segurança pública. Vou aqui apresentar minha singela opinião.

O problema do Brasil não é a maioridade penal. O problema do Brasil são as leis e suas aplicações. O Código Penal brasileiro é antigo (mais de 70 anos) e cheio de brechas, que permitem uma série de caminhos para que bandidos consigam se beneficiar. Ou você acha que é somente adolescente que mata, estupra, trafica drogas e assalta neste país...

Preste atenção no noticiário policial, faça uma comparação. Adolescentes praticam sim crimes, assaltam, estupram e matam. Mas a infinita maioria dos crimes são praticados por maiores de 18 anos. E sabe por quê? Porque os bandidos perderam o medo da polícia, perderam o medo de ir para as cadeias que estão superlotadas e permitem fugas, perderam o medo de receberem uma sentença para ficarem muitos anos presos.

Em uma condenação de crimes como tráfico ou roubo, por exemplo, em geral, fica-se preso de 3 a 5 anos. Ai eu pergunto mais uma vez: quando sair da cadeia, esse criminoso estará melhor ou pior? Voltará a cometer crimes ou virará santo?

O Sistema Penitenciário brasileiro é totalmente falido. O Sistema de Segurança Pública brasileiro é totalmente falido. Reduzir a maioridade penal apenas vai pegar uma nova faixa etária e jogar dentro de presídios. O adolescente de 16 anos que já está no mundo do crime não deixará de matar, roubar, estuprar por medo de ser condenado. Exatamente porque, mesmo com a redução da maioridade penal, em pouco tempo ele estará solto do mesmo jeito e ainda mais perverso depois de ter feito “faculdade do crime” em uma penitenciária.

Eu entendo todos os argumentos da sociedade revoltada com a insegurança, que os adolescentes praticam crimes ou assumem crimes para livrarem comparsas de punição. Isso realmente acontece. No entanto, acontece por anos e anos de omissão do Estado. Os bandidos oferecem às nossas crianças e adolescentes aquilo que eles não encontram nas escolas e em suas comunidades, que são oportunidades. Ninguém nasce sendo bandido.

Hoje, adolescentes abaixo de 16 anos praticam os mesmos crimes também. Chegará o dia então em que vamos ter que reduzir a maioridade penal para 14 anos, depois para 12 anos, depois para 10? Porque sem nenhuma dúvida os bandidos estão assediando e atraindo esses adolescentes para o lado deles.

Peço que observem no cenário nacional e até mesmo local o que os políticos estão propondo para retirar os jovens da criminalidade. Eu, sinceramente, não tenho visto ser debatido no Congresso nenhuma mudança no planejamento escolar para abraçar crianças e adolescentes em situação de risco, não tenho visto nenhuma discussão para reduzir a desigualdade social, não tenho visto nenhuma discussão para aumento da inclusão social e muito menos para reconstrução das leis no sentido geral. A reforma do Código Penal Brasileiro poderia estar no centro das discussões, ao contrário disso, arrasta-se há anos no Congresso.

O que eu tenho visto mesmo são políticos espertos pegando carona no clamor social por mais segurança e usando a redução da maioridade penal como palanque para se promoverem. Será que eles realmente estão preocupados com o futuro do país? A violência é um problema social que precisa ser combatido na raiz, com vontade política e políticas públicas efetivas. Ao invés de reduzirmos a maioridade penal, vamos aumentar a qualidade educacional deste país e ai sim teremos mudanças de verdade.

 

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