Kalina Leite impõe características de ditadura e coordenadora do Proerd é afastada por reclamar de efetivo

Publicado em 22/12/2015 às 17h09

 A Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio Grande do Norte se tornou uma pasta com características de regime ditatorial, no qual tem imperado as vontades e caprichos da secretária Kalina Leite. Mostrando claramente que não sabe ser contrariada e nem questionada em suas ações, a titular da Sesed tem agido de maneira perversa com alguns setores da Segurança.

Um deles e crucial para o futuro do nosso Estado é o Proerd. Desde que assumiu a Secretaria, Kalina e sua equipe, propagando a ideia de um novo modelo de gestão da Segurança Pública, decidiram diminuir o efetivo do Proerd para colocar os policiais em outras áreas, como a Ronda Cidadã.

Ou seja, o que a secretária tem tentado fazer desesperadamente é dar uma resposta imediata à sociedade para o quadro de insegurança instalado em nosso Estado, sem se preocupar com o futuro. Mas nem isso ela tem conseguido. E quem diz não sou só eu. O clamor está nas ruas, está nas redes sociais, está entre os empresários, entre os mais humildes e os mais ricos.

Ronda Cidadã é obra de ficção, que só tem efeitos práticos na cabeça do autor e nas cenas de campanhas publicitárias do Governo. Na prática, tudo continua como antes. Ou você aí cidadão que está lendo esse artigo acha que eu estou falando alguma besteira?

Já o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) é consolidado como uma das mais eficientes políticas de estado. O Proerd do RN é reconhecido nacionalmente e internacionalmente, tendo recebido premiações e congratulações de diversas instituições ao longo dos últimos anos.

Se a secretária Kalina Leite e sua equipe tivessem o mínimo de inteligência, ao invés de diminuírem o efetivo do Proerd, iriam triplicar. O Proerd age diretamente nas escolas, nas comunidades carentes e até nas classes mais afortunadas. O Programa é a melhor e mais eficiente ferramenta que nós temos para impedir o avanço das drogas nas gerações futuras e, consequentemente, frear o avanço da violência nos próximos anos.

Somente quem tem a mentalidade retrógrada não enxerga isso. Somente quem só pensa no próprio umbigo não enxerga isso.

E foi por isso que a tenente-coronel Margarida Brandão foi retirada do comando do Proerd. Foi afastada por ter defendido com unhas e dentes o projeto que ela cuida desde o início, o projeto que ela já viu transformar e salvar a vida de centenas de crianças e adolescentes em nosso Estado.

Foi por não ter abaixado a cabeça para as ingerências da Sesed e ter reclamado aos quatro cantos que a tenente-coronel Margarida acabou sendo perseguida.

O que a secretária Kalina Leite está fazendo é desestruturando um projeto eficiente e de extrema importância, como é o Proerd, para apostar em uma ideia de marketing e uma política de segurança que visa somente o hoje.

Mas o tempo irá dizer quem está certo e quem está errado. É uma pena que enquanto isso o povo potiguar paga diariamente o preço da insegurança.

*Significado de Ditadura
1. Governo autoritário exercido por uma pessoa ou por um grupo de pessoas, com supremacia do poder executivo, e em que se suprimem ou restringem os direitos individuais.

2. Estado, nação em que vigora esse tipo de governo.

3. [Figurado] Excesso de autoridade ou de influência que algo ou alguém exerce sobre um conjunto de pessoas.

Governo do RN pode cometer ilegalidade ao contratar temporários para presídios

Publicado em 15/12/2015 às 21h30

 Na semana passada, o Governo do Estado enviou para a Assembleia Legislativa do RN uma mensagem governamental que pretende permitir a contratação de profissionais temporários para trabalharem em unidades prisionais do Rio Grande do Norte. O projeto, no entanto, pode ser declarado ilegal, como aconteceu no estado de Goiás.

O Governo de Goiás havia adotado a mesma medida, porém, o Tribunal de Justiça daquele estado considerou o ato ilegal e deu prazo de 120 dias para que o Governo desligasse esses temporários.

A decisão foi juíza Suelenita Soares Correia (foto), da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia. De acordo com o site do TJ-GO, a magistrada determinou o desligamento gradativo dos trabalhadores contratados.

“O provimento de cargos através de contratação por tempo determinado no serviço público deve ter previsão tanto na legislação estadual quanto na Constituição Federal. Nesse caso ficou ricamente provada a intenção do Estado de burlar o princípio do concurso público”, asseverou.

A juíza ainda comentou em sua decisão: “Não é razoável que a administração efetue repetidamente contratações temporárias, adiando a abertura de mais certames ou mesmo protelando a convocação de aprovados em concurso público que ela mesma realizou”, reprovou.

O caso é bastante semelhante ao que está em cena no Rio Grande do Norte. Recentemente, inclusive, o Governo do Estado já conseguiu aprovar um projeto para contratação temporária de médico legista para o Instituto Técnico-Científico de Polícia.

Caso consiga aprovar mais este projeto, o Governo do Estado e os deputados estaduais estarão caminhando para um processo que deverá cair na ilegalidade, gerando mais custos e gastos desnecessários para os cofres públicos.

Na mensagem enviada à Assembleia Legislativa do RN, o próprio Governo do Estado reconhece que: "para essas revistas intensas no dia-a-dia, o número ordinário de agentes penitenciários é insuficiente, sendo necessários mais servidores, pelo menos enquanto perdurar o estado de calamidade".

Então, por que não iniciar um processo seletivo através de concurso público, abrindo novas vagas de maneira legal?

Inclusive, há uma ação do Ministério Público do RN, feita após a onda de rebeliões registradas neste ano de 2015, recomendando uma série de medidas que o Governo do Estado deveria adotar para resolver o problema, entre elas a realização de concurso público e aquisição de materiais para oferecer condições de trabalho aos agentes.

Segurança Pública no RN: Competência pra fazer contas e incompetência para frear crimes

Publicado em 23/11/2015 às 10h47

Foto: Thyago Macedo

 A morte de dois policiais civis, na noite deste domingo, durante um assalto a uma residência, deixou a sociedade potiguar em profunda comoção. Pai e filho, que juntos com os demais membros da família se confraternizavam em um momento de lazer, tiveram suas vidas interrompidas de maneira brutal pela violência desenfreada que toma conta do Estado.

Agora, os policiais civis Geraldo de Sousa e Alirio Cavalieri Nobre de Sousa vão fazer parte das estatísticas tão anunciadas pela Secretaria de Segurança do Rio Grande do Norte. Aliás, essa tem sido a principal bandeira da atual gestão da Sesed: FAZER CONTAS.

Nunca se falou tanto em estatísticas e números como neste ano de 2015. Talvez, para a secretária Kalina Leite e sua equipe seja mais importante fazer contas do que gerir propriamente os problemas da Segurança Pública. Ou será que seria mais fácil?

Ao que parece, sobra competência na Secretaria de Segurança para se contar o número de mortes, mas sobra também incompetência para lidar com a violência e impedir que essas mortes aconteçam.

Ou será que a secretária de segurança continua se sentindo segura, como declarou há alguns meses? Será que o Governo do Estado acredita mesmo que a Segurança Pública do RN melhorou, como tem divulgado em campanhas publicitárias na TV?

Já escrevi aqui uma vez e vou dizer novamente: a população não quer saber de números, não quer saber de contas, não quer saber de estatísticas. As pessoas querem se sentir seguras nas ruas, nos ônibus, nos bares, nos restaurantes ou pelo menos, PELO MENOS, dentro de suas casas, pois nem isso mais está acontecendo.

Os bandidos não respeitam mais as forças de segurança do Estado. Sete policiais militares foram mortos e outros feridos, agentes penitenciários foram alvos de atentados também e, agora, policiais civis, sendo dois mortos neste domingo e um baleado na sexta-feira, também durante um assalto. E, claro, centenas e centenas de outras mortes que são registradas todos os meses em decorrência da violência.

Mas, para a cúpula da Segurança Pública deve ser melhor continuar fazendo contas. Só aconselho a usarem uma calculadora, pois pela quantidade de mortes que vem sendo registrada vai faltar papel pra essa contabilidade.

Quando o medo bate à nossa porta a indiferença salta pela janela

Publicado em 16/11/2015 às 11h33

 A França parou. O mundo parou. No final de semana, assistimos a mais uma barbárie provocada por terroristas e, chocados, choramos juntos com o povo francês a dor do medo. Sentir terror simplesmente ao assistir pela TV as informações dos atentados em Paris é uma reação natural? Sim.

Mas não somente isso. Neste caso, o clamor que sentimos não é puro e simplesmente pela perda de vidas inocentes. Neste caso, o medo bateu em nossa porta. A França é uma das portas do mundo ocidental, cartão postal, visitada diariamente por milhares de pessoas dos mais variados países, inclusive o Brasil.

A França tem futebol, tem o Zidane, a Torre Eiffel, o Rio Sena, o Arco do Triunfo. Todos nós conhecemos a França, mesmo aqueles que nunca pisaram lá. E é isso que faz com que o terror sofrido pelos franceses seja o nosso terror.

O que nós sabemos sobre a Síria, sobre o Iraque, sobre a Líbia e tantos outros países árabes? Desde sempre, sabemos apenas que são países que vivem em guerra, uma “guerra santa”.

Na maioria desses países, a morte de inocentes em atentados terroristas ou até mesmo em conflitos de guerra é uma triste rotina. Homens-bomba, carros-bomba, lobos solitários ou quaisquer outros nomes que queiram dar promovem verdadeiras carnificinas quase que diariamente.

Vemos isso nos telejornais apenas como mais uma notícia ou até mudamos de canal. Quantas vezes postamos em nossas redes sociais bandeiras da Síria, da Líbia, do Egito, do Iraque?

Somos indiferentes a essa realidade. Assim como somos indiferentes à realidade da nossa própria periferia. Pobres, favelados e negros (perfil da maioria das vítimas, de acordo com estatísticas) são executados todos os dias em uma guerra que não é santa, mas sim uma guerra pela sobrevivência às margens da sociedade.

Ficamos chocados com a insegurança e com a violência quando a vítima é filho de empresário, de um político, é um doutor, um playboy ou patricinha da alta sociedade. Caso não seja esse perfil, encaramos apenas como mais uma notícia ou caracterizamos como notícia sensacionalista e até chamamos o jornalismo policial de jornalismo de quinta categoria.

É natural do ser humano ser indiferente àquilo que está distante da sua realidade. Somente quando o medo bate em nossa porta a indiferença salta pela janela.

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