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Queima de Arquivo
Por Sérgio Costa
Radialista profissional, formando em Comunicação Social - Jornalismo, repórter da 96 FM e da TV Ponta Negra (SBT Natal) e do Portal BO.

Twitter:
@sergiocostarn

Email:
sergiocosta@portalbo.com


Publicada: 18/03/2013 às 10h41

CDP de Candelária: O caos só muda de endereço

Foto: Sérgio Costa

O Centro de Detenção Provisória de Candelária agora é novo endereço do medo. Hoje, 55 homens acusados de crimes de assalto a mão armada, tráfico de drogas, furto e homicídio já se encontram nas novas instalações do prédio que há um mês foi desativado por falta de estrutura.

Uma verdadeira maquiagem foi feita as pressas no CDP que mal começou a funcionar e já está superlotado. As sete celas só comportam 51 presos.

Há quase uma década que essa manobra malhada vem sendo feita pelos governos do Rio Grande do Norte, de modo que nunca se estabeleceu, em momento nenhum da história, uma solução definitiva e eficaz.

Diante do caos que só muda de endereço, eu fico a imaginar coisas como, por exemplo, a possibilidade de alguém está lucrando alto com tudo isso, de existirem realmente pessoas interessadas em manter o sistema prisional nessa miséria eterna.

Nesse último episódio do longa-metragem chamado "O endereço do caos", muitas coisas ficaram bem claras na minha cabeça. Uma delas foi que “parir Matheus” é fácil, balançar ele, talvez, mas levá-lo para casa, isso ninguém quer!
 

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Publicada: 14/02/2013 às 15h04

Rádio Patrulha do 1º Batalhão funcionava sem rádio

Problema foi resolvido após equipe do Portal BO visitar o prédio.

Fotos: Sérgio Costa

Policiais militares lotados na 3º Companhia do 1º Batalhão trabalharam durante 30 dias sem um dos principais instrumentos de serviço da unidade: o rádio de comunicação. O problema, vinha causando desconforto entre todos que alí trabalham, mas foi resolvido na manhã desta quinta-feira (14), curiosamente, após uma visita da equipe de reportagem do Portal BO.

 

 

A denúncia que partiu de policiais de outras companhias foi verificada e comprovada. Além de funcionar em uma estrutura precária, com banheiros quebrados, alojamento inadequado e luminárias externas queimadas, a Companhia ainda apresentava um outro problema, o de comunicação. O único rádio que é usado para estreitar o contato com o CIOSP e assim acelerar o atendimento a ocorrências, estava quebrado.

Eu mantive contato com a comandante do Batalhão, a Major Teresa, e fui informado que já houve diversas solicitações para que o problema fosse resolvido anteriormente. Não somente o conserto do rádio, mas também o das viaturas que apresentam defeitos. "Desde que assumi o comando do 1º Batalhão que venho solicitando celeridade na resolução de problemas como os que foram apresentados, no entanto, estávamos aguardando somente o despacho da diretoria de apoio logístico", disse.

Também conversei por telefone com o capitão Marcelo Antônio,comandante da 3º Cia do 1º Batalhão. O oficial atenciosamente me ligou e relatou que a sede da unidade será transferida brevemente para o prédio onde funcionava a corregedoria, na avenida Coronel Estevam, no bairro do Alecrim, que a base do Barro Vermelho continuará funcionando normalmente.

Não questiono o esforço nem a competência dos gestores e comandantes responsáveis pelas unidades aqui mencionadas, mas sim a falta de imediatismo, de objetividade quando o problema é gritante e merecedor da atenção pública. Acredito que se caso houver uma visita periódica as companhias de todos os Batalhões espalhados pelo Estado, seriam desnecessárias denúncias que acabam mostrando o que é fato. 

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Publicada: 23/10/2012 às 11h04

Guerra do tráfico aterroriza a zona Oeste

Jovens são vítimas de uma lei cruel e sem perdão.

Foto: Sérgio Costa

Em apenas 60 dias, a polícia registrou 14 assassinatos com características de execução na zona Oeste de Natal. As vítimas, em sua maioria, tinham alguma ligação com o tráfico de drogas da região.

Essa realidade violenta só expõe o poder de uma lei severa que não poupa nenhum daqueles que desobedecem e não cumprem as regras. A lei do tráfico é assim: "Não pagou, morre”.

Mas muitos são mortos por causa de uma outra razão, também ligada a mesma política do crime. Com o surgimento do crack, o tráfico criou uma nova roupagem, passou a se manifestar mais acelerado, favorecendo o surgimento fácil de novos mantenedores de bocas de fumo em diversos pontos. Com isso, o conflito entre traficantes se tornou algo muito comum e o banho de sangue passou a ser notícia quase que diária. 

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Publicada: 10/10/2012 às 09h34

Alerta: "Alvará no terreiro"

Presos avisam presença da polícia com código de segurança.

Foto: Sérgio Costa

Em uma dessas noites eu e o repórter cinematográfico Francisco Câmera fomos até ao Núcleo de Custódia da Polícia Civil, no bairro da Cidade da Esperança, com a finalidade de entrevistarmos um jovem preso acusado de sequestro. Chegamos ao local e fomos recebidos como sempre com muita atenção por parte dos policiais militares e da chefe do Núcleo, Tânia Pereira. Fizemos a entrevista, que durou cerca de vinte minutos, e logo depois ficamos mais um tempo conversando com os colegas da unidade prisional.

Em certo momento, um dos policiais precisou deixar o entrevistado de volta na carceragem que acumula cerca de 70 presos em um espaço improvisado onde deveria ser um solária. Quando o agente abriu a porta de madeira e retirou uma espécie de trava ou cancela, ouvimos alguém do lado de dentro gritar: "ALVARÁ NO TERREIRO".

A frase para qualquer um não quer dizer nada, pode ter um tom de gíria ou apelido, mas na verdade tem outro propósito e significado. Segundo Tânia, "Alvará no Terreiro" quer dizer: "parem de serrar ou cavar que tem polícia na área". "Eles criaram esse código para que os outros presos que são encarregados de serrarem as grades e outros por fazerem buracos para fugas, seja avisados com antecedência da presença nossa no local", explicou.

Um dos policiais me convidou para entrar pela lateral do Núcleo onde ficamos de frente para a cela. Quando os presos perceberam a nossa aproximação um deles gritou alto: "Alvará no Terreiro" e todos se encostaram na grade para que a visão para o interior da cela ficasse comprometida. Outra expressão usada pelos presos é "Chegou Alvará".

Esta situação me fez rir muito e também refletir sobre as condições absurdas do cárcere, a realidade de presos que diante do caos da vida e da prisão criam todas as artimanhas para se ver livres de um mundo que não foi criado por eles.  

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