Queima de Arquivo
Por Sérgio Costa
Publicada: 22/11/2014 às 11h41

As diárias operacionais e a oficina de discos voadores

Foto: Mara Rochele

Por causa do trabalho contínuo, o cansaço é inevitável e às vezes paro um pouco de reportar e vou por aí. Em uma dessas caminhadas em busca do sossego, passei na Praia do Amor, ali pelos lados da Pipa, desci as falésias, acompanhado de uma bela morena, quando me deparei com uma placa que me chamou atenção, o letreiro dizia: “Conserta-se disco voador”. Imediatamente achei engraçado, pensei no quanto imaginar é bom, brincar com inacreditável e tornar real aquilo que ninguém espera.

Enquanto ria com o presepeiro dono da oficina que instalou a placa, deparei-me com um policial militar de Natal, ele é da Força Tática, um soldado experiente e combatente das fileiras da PM há 15 anos. O sujeito apertou minha mão, disse que me acompanhava nas reportagens da rádio e da TV, mas queria me fazer um pedido, na verdade, pedir-me um apoio para que as diárias operacionais atrasadas desde a Copa do Mundo fossem cobradas.

Confesso que por um instante não creditei que esse pagamento prometido e garantido em diversas entrevistas com o Governo ainda estava pendente, mas estava. Lembro que no tempo da Copa a cobrança por segurança foi forte, tinha polícia por toda parte, até na esquina da minha rua, no subúrbio elegante de Nazaré, tinha polícia. Não esqueço também que por várias vezes atendi telefonemas de praças que trabalharam no estádio Arena das Dunas me relatando que a única refeição do dia era um cachorro-quente frio e uma Coca Cola.

O policial conversou comigo ainda uns dois minutos, desejou-me boa sorte e foi embora. Eu continuei descendo o paredão concentrado em duas coisas: primeiro, em descer devagar e com atenção, pois morro de medo de altura e aquilo é alto pra caramba; e a outra coisa que pensava era o desabafo do soldado. Quando sentei em uma cadeira de barraca de sombra boa e pedi aquela velha dose de água ardente gelada, viajei.

Às vezes, é muito mais fácil confiarmos em extraterrestres no prego no meio do espaço que acreditarmos em promessas não cumpridas, em palavras proferidas ao vento que tiveram só um efeito, deixar uma tropa inteira com o pé atrás. O Carnatal vem aí! Vamos pra Pipa? Ah, esqueci, meu colega PM contava com as DOs das eleições e do ENEM, mas essas necas de pitibiriba!
 

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Publicada: 15/10/2014 às 15h25

Apenas 17 anos e uma “vida louca” desde os nove

Adolescente relata que fuma maconha desde garota e assalta todos os dias.

Foto: Sérgio Costa / Portal BO

O sorriso dela é fácil, as palavras sempre usadas na forma gramatical adequada, não apresenta timidez e fala das ações ilícitas as quais participou tranquilamente, sem esboçar nenhum arrependimento. Durante dez minutos, eu bati um papo com a jovem de 17 anos que foi apreendida por participar de uma tentativa de assalto, em Ponta Negra.

Confesso que nesses 15 anos de profissão, reportando os crimes mais atrozes, fiquei chocado com a naturalidade a qual aquela bela jovem retratou a própria vida. Sentada em uma sala gradeada da delegacia, aguardando os pais para ser liberada, a adolescente, que cursa o 3º ano do Ensino Médio, não hesitou em me responder algumas perguntas.

Sérgio Costa - De quem foi a ideia de fazer o assalto?
Adolescente
– Foi minha! Eu vi o carro de “bobeira” e uma mulher saindo dele e chamei meu namorado e o amigo dele para fazer a parada.
Sérgio Costa - Foi a primeira vez que você se envolveu desse tipo de prática?
Adolescente
– Não, eu fiz outras vezes, aliás, eu já assaltei tanto que não lembro mais, perdi as contas (risos).
Sérgio Costa – Com que frequência você pratica assaltos e como você age?
Adolescente
– Todos os dias, geralmente à noite. Um amigo sempre me chama e saímos por aí de moto tomando celulares, dinheiro, o que for de valor a gente leva mesmo. Às vezes é ele que anuncia o assalto com a arma, mas eu também gosto de abordar, me dá prazer! (risos)
Sérgio Costa – A polícia disse que você e seus amigos estavam consumindo maconha antes de praticar a tentativa de roubo, como é a sua relação com as drogas?
Adolescente
– Eu gosto de usar maconha e faço isso desde os meus nove anos de idade. A primeira vez foi na escola, no conjunto Pirangi, e depois não parei mais, até parei um tempo, mas voltei e fumo todos os dias.
Sérgio Costa – Você foi apreendida, vai ser liberada, mas o constrangimento não te incomoda? Não se arrepende?
Adolescente
– Arrependimento? (risos). Não tenho. Me arrepender para que, se eu gosto? Quem tá nessa vida louca não se arrepende de nada não, só vou ter mais cuidado porque daqui a um tempo serei maior de idade, aí complica né?
 

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Publicada: 21/06/2014 às 10h01

A luta honrosa que mudou a cara da PM/RN

Foto: Sérgio Costa / Portal BO

Ainda há muito que fazer para termos uma polícia devidamente pronta, equipada, valorizada e, principalmente, respeitada como deveria. As feridas sangrentas e expostas claramente para todo mundo ver não mostram apenas a falta de importância dada pelo Executivo à categoria, mas o desejo quase que incontrolável dos governos em saborear o amargo do caos como se fosse bom. Além de tudo, perpetuaram na polícia um eterno paradoxo: ela é lembrada nas ameaças e conflitos e esquecida antes e depois disso.

Ainda hoje, nesses tempos de desconforto social, de fogo em ônibus, de menores adolescentes cuspindo na lei e algumas manifestações movidas a violência e intolerância, alguns sentem saudades do famigerado e velho regime, do silêncio maldito, do bastão impiedoso que transformou a polícia da época de chumbo no carrasco do povo.

O tempo passou e mesmo indignados com o que se noticia hoje, poucos permaneceram na empoeirada ideia de que lutar pela ordem e pela justiça é só assassinar o direito do outro, e fazer vista grossa para as verdadeiras razões do descontrole social. O pensamento dos que compõem as fileiras da PM mudou e estabeleceu de fato uma nova ordem movida pela democracia e pela luta organizada por valores legítimos.

Em três anos, os policiais e bombeiros militares do Rio Grande do Norte conseguiram mudar a cara da instituição, injetaram uma dose de esperança, fortaleceram opiniões, bateram de frente com quem só oferecia as portas fechadas. A luta pela lei de promoção, subsídios e melhorias estruturais mobilizou a corporação aos poucos, a cada assembleia, acampamentos, reuniões frustradas com o governo, vivenciando momentos de tensão, de agonia, mas nunca de silêncio, nem de medo.

As lideranças do movimento que deu nova roupagem a armadura do soldado nunca se mostraram quietas, reuniram, discutiram e deliberaram. Em muitos desses encontros eu estive presente cumprindo o meu dever de reportar as informações e posso atestar que as conquistas que vieram só foram possíveis por causa de um sentimento nobre e peculiar a esses guerreiros, a coragem.

Bem sabemos que mudar não significa desmontar de uma só vez a estrutura complexa, antiga e viciosa que desmotivou e desvalorizou os nossos homens e mulheres da linha de frente ao longo dos anos, essas conquistas recentes podem ter um tom de ensaio, de bandeira erguida declarando que as ideias, pensamentos e principalmente as atitudes já não são mais como as de antes e que lutar pela ordem deixou de ser apenas uma missão nas ruas para se tornar garantia de excelência e dignidade para a corporação.
 

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Publicada: 12/08/2013 às 16h34

Mulheres adolescentes são procuradas por assaltos a ônibus

Muitas usam faca peixeira e estão acompanhadas dos namorados durante as ações.

Fotos: Sérgio Costa / Portal BO

A polícia está à procura de uma quadrilha especializada em assaltar ônibus na zona Oeste da capital. O grupo de infratores é formado por três casais que agem separadamente em pontos estratégicos das avenidas Bernardo Vieira e Mário Negócio. Em muitos casos, segundo o relato de motoristas vítimas, eles são vistos em total clima de romance antes de anunciarem o crime.

 
Motoristas têm sofrido com assaltos
 

Em um dos assaltos registrados neste mês de agosto, a vítima relatou para a polícia que um casal estava parado no ponto trocando beijos e carícias. Quando o transporte se aproximou o rapaz pediu parada e ao subir anunciou o assalto e iniciou uma sequência de golpes de faca em direção ao condutor do transporte sem nenhuma motivação aparente. O criminoso fugiu com a companheira e o motorista se salvou após ser socorrido.

O que mais impressiona em todas essas histórias envolvendo ousadia e violência é a facilidade com que esses casais apaixonados pelo crime voltam para ruas e tornam a praticar assaltos cada vez cruéis. A polícia adotou uma medida emergencial, deu início a uma tímida operação barreira, medida tomada em outras ocasiões anteriores, com o intuito de enfraquecer esses delinquentes, mas percebemos que a estratégia usada deve ser repensada urgentemente, já que os assaltos não param.

Quanto aos casaizinhos do terror basta fazer um teste, fazer uma pequena parada na frente da delegacia de plantão da zona sul que um motorista, cobrador ou passageiro certamente irá dar notícias e péssimas lembranças.
 

 

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