Natal, Rio Grande do Norte, 19 de Novembro de 2017

Território de Mãe Luiza é disputado por duas gangues distintas

Traficantes se dividem em duas áreas do bairro e se matam sempre que se encontram.

Thyago Macedo e Sérgio Costa   28/08/2011 às 10h16   -  Atualizada em 21/07/2017 às 14h37

Foto: Google Maps
Parte de cima de Mãe Luiza, também conhecida como Caixa D´agua

Os constantes homicídios e tentativas de homicídios registrados no bairro de Mãe Luiza têm uma motivação bem clara: a disputa por território para o tráfico de drogas. A reportagem do Portal BO descobriu que dois grupos se enfrentam e se matam a cada dia na tentativa de mostrar força e obter mais lucros.

Cada um dos grupos fica nas áreas conhecidas por Caixa D´agua e Charutinho, que são, respectivamente, a parte de cima e de baixo de Mãe Luiza. A divisão de gangues é bem feita e os próprios moradores conseguem identificar os integrantes de cada bando. No entanto, a lei do silêncio é mais forte: quem abrir a boca morre.

 
Ruas de Mãe Luiza se tornaram cenário de homicídios
 

Nesta semana, o Portal BO foi descobrir como funciona a rivalidade dentro do bairro. Há pelo menos dez anos o tráfico de drogas vem fazendo vítimas e deixando os moradores de Mãe Luiza reféns do crime. Até mesmo a polícia tem dificuldades de combater a onda de mortes nas ruas estreitas da comunidade.

Mesmo sabendo quem são os comandantes do tráfico, os policiais não conseguem prender por falta de provas ou porque, simplesmente, os bandidos se escondem e ninguém diz onde eles estão. “O cidadão testemunha um homicídio, sabe que em frente a casa dele tem uma boca de fumo ou sabe que roubou seu estabelecimento comercial, mas não vai denunciar, pois as chances de morrer é alta”, revela o soldado Geraldo, um dos policiais militares que combate o crime diariamente em Mãe Luiza.

Ele explica que as gangues estão instaladas nas ruas Saquarema e São Pedro (Caixa D´agua), que é a parte de cima de Mãe Luiza, e nas ruas São Paulo e Guanabara, parte de baixo. Essa última é conhecida como a turma do Charutinho, apelido de um antigo traficante da área, mas que já morreu pelas armas do crime.

As armas, aliás, tornaram-se uma preocupação constante da polícia. Informações dão contas que as duas gangues dispõem de verdadeiros arsenais, escondidos em pontos estratégicos de Mãe Luiza. Boa parte dessas armas é de grosso calibre, como espingardas calibre 12. A turma do Charutinho, de acordo com a polícia, é comandada pelos traficantes conhecidos por “Peito” e “Novinho”.

 
Parte de baixo de Mãe Luiza é comandada pela Turma do Charutinho
 

Já a gangue da Caixa D´agua é comandada por outro traficante também conhecido por “Novinho” e o irmão dele, chamado de “Tampinha”. No entanto, o cabeça do tráfico na área seria um jovem de nome Fred. Contudo, como nas redes de tráficos espalhadas pelo Brasil, o verdadeiro líder nunca é visto e não se envolve diretamente com o crime.

As ruas citadas como base das duas gangues se tornaram cenários de varias mortes ao longo dos anos. Além disso, a rua João XXIII, que corta Mãe Luiza de Petrópolis à Via Costeira, é um dos principais pontos de confrontos. Para tentar enganar a polícia, os criminosos também se utilizam de alguns artifícios.

Um deles, por exemplo, é proprietário de duas lojas de confecções e uma lanchonete. Os moradores sabem que os estabelecimentos comerciais funcionam de fachada para a prática de tráfico de drogas. Geralmente, os carregamentos de drogas costumam ser realizados durante a madrugada.

O 1º Batalhão da Polícia Militar informou que nos últimos dias tem tentado intensificar o policiamento na área. De quinta-feira a domingo, viaturas extras estão fazendo policiamento ostensivo durante a noite, na tentativa de coibir os crimes. 

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