Natal, Rio Grande do Norte, 27 de Junho de 2017

“Polícia Civil está à beira de um colapso”, afirma presidente da Adepol

Delegada Ana Cláudia Saraiva afirma que problemas estruturais estão afundando a instituição. Ela ainda acha injusto culpar a Polícia Civil pela insegurança.

Thyago Macedo   04/09/2011 às 04h09   -  Atualizada em 10/02/2015 às 01h59

Delega Ana Cláudia Saraiva

A delegada Ana Cláudia Saraiva, presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, afirma que uma das principais instituições da segurança pública “está à beira de um colapso”. A afirmação pode parecer clichê, mas preocupa diante das informações repassadas pela delegada.

“A Polícia Civil não tem mais condições de desenvolver seu trabalho de polícia judiciária. Estamos à beira de um colapso. Um conjunto de fatores faz com que cheguemos a essa conclusão, como a falta de efetivo, mas, principalmente, a falta de estrutura e condições de trabalho. E isso é um problema mais que político, é histórico”, destaca a presidente da Adepol.

De acordo com a delegada, uma das ferramentas básicas para o desenvolvimento do trabalho policial não existe na maioria dos municípios, que é a informatização. “Infelizmente, é triste dizer isso, mas, em pleno ano de 2011, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte não é informatizada. É impossível se pensar hoje em segurança pública sem um sistema integrado de informações. A maioria dos policiais, principalmente do interior, não têm como fazer uma consulta junto aos outros órgãos que compõem a segurança”.

Para Ana Cláudia Saraiva, seria necessário muito mais do que a convocação dos novos delegados, agentes e escrivães aprovados no último concurso da Polícia Civil. “O Rio Grande do Norte é um estado que só tem investido em contratação de pessoal de dez em dez anos. Isso é muito desproporcional ao aumento da população e do crime”, frisa.

Mesmo assim, a presidente da Adepol lembra que a chegada de novos policiais deve amenizar a situação calamitosa em que se encontram algumas cidades. “Hoje, nós só temos delegados e agentes da polícia civil nos municípios que possuem delegacias regionais. Como é do conhecimento de todos, eles são obrigados a responderem por várias cidades e não dão conta. Tem até delegado distrital de Natal que está respondendo por municípios do interior”, revela.

Para tentar contornar esse problema, a Associação dos Delegados da Polícia Civil tem lutado pela convocação dos aprovados. A Adepol chegou a entrar com ação na justiça e aguarda que o Governo do RN seja obrigado a fazer a convocação imediata. “Queremos que isso seja feito, mesmo que de forma gradativa, para que pelo menos se possa começar a minimizar o problema”.

Questionada se alguns delegados não estariam desestimulados diante da falta de estrutura, Ana Cláudia respondeu: “Não acho que essa seja a palavra. Na verdade, o que há é um cansaço por parte de alguns colegas em tentar fazer um bom trabalho, mas esbarrar na falta de estrutura. É injusto colocar a culpa da insegurança nas costas dos policiais civis. A Delegacia Geral, por exemplo, tem hoje vários projetos para colocar em prática e otimizar o trabalho da Polícia Civil, mas faltam recursos para que esses projetos sejam executados”, comenta.

De acordo com a presidente da Adepol, no ano passado, o órgão chegou a apresentar uma emenda ao Orçamento Geral do Estado para este ano, pedindo R$ 3 milhões para a Polícia Civil. Os deputados, no entanto, aprovaram uma emenda no valor de R$ 1 milhão. “Mesmo assim, nós já estamos em setembro e ainda não foi repassada nada desde valor”, finaliza Ana Cláudia Saraiva. 

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