Mentes Criminosas

Natal, Rio Grande do Norte, 20 de Outubro de 2017

O medo

Tânia Lima   20/07/2015 às 18h24   -  Atualizada em 22/08/2017 às 16h21

Foto: Reprodução

O que significa medo? Bem, um dia um grande professor ensinou que a definição do medo é mutável, sendo sua importância e significado valorizado dentro de um contexto histórico de um tempo e de uma sociedade; pois o que pode ser considerado medo hoje para uma sociedade, em outra ou em outra época, é sinônimo de motivo para lutas épicas, objetivando muitas vezes a preservação da vida. Mas, para nosso tempo, o dicionário brasileiro define medo como sendo uma perturbação resultante da ideia de perigo aparente ou de algo perigoso; temor, horror.

No ser humano é sentido através de uma sensação que galga vários estágios de intensidade até chegar a uma inativação, podendo ser no momento inicial uma paralisação ou uma onda de adrenalina.

Estamos vivendo atualmente em alerta constante, talvez porque o medo seja uma das formas de perpetuação de uma espécie, sendo, portanto, um dos maiores meios para a autopreservação.

Entretanto, o que choca mais em toda instabilidade atual é que nossa própria espécie evoluiu, não somos mais bárbaros. Mesmo assim, a insegurança e a crescente criminalidade nos deixam perplexos, coagindo quem adere às regras impostas pelo Estado a sentir algo que tão bem sabe interpretar: a palavra medo. Infelizmente a nossa realidade não está nada boa em função dessa sensação.

De todo modo, considerações à parte, vamos falar sobre o medo de outro prisma.

Em uma conversa com grandes amigos que girou em torno da insegurança pública do nosso Estado, perguntaram-me o que seria medo para o psicopata, visto que nas atuais literaturas expõe a inexistência dessa sensação a eles.

Pois bem. Existem pesquisas, inclusive brasileiras, que em estudo com ressonância magnética, usaram dois grupos de indivíduos, a fim de verificar quais partes dos dois lobos cerebrais eram ativados através de estímulos visuais: o primeiro foi de pessoas que jogam de acordo com as regras sociais, e o segundo grupo, o de criminosos bárbaros. Todos foram estimulados com imagens de momentos felizes, assim como imagens de momentos reprovadores, no ponto de vista moral. O segundo grupo apresentou inatividade quando foram apresentadas imagens de momentos de dor e infelicidade alheia, mostrando também pouca alteração neurológica quando apresentadas imagens de felicidade.

Antes que você pergunte a utilidade desse estudo para a comparação do medo, vamos dizer que a literatura sobre o caso em discussão está amplamente confinada a entender que inexistem emoções em psicopatias quando se referem ao medo ou a problemas alheios, já que a maior ativação no cérebro de um psicopata é sua área pré-frontal, dando a entender que tais seres humanos usam mais a razão do que a emoção.

Chegando a essa conclusão, o medo como sensação para o psicopata é mero uso para a razão. Não quer dizer que jamais eles sentirão medo, como o pavor ou pânico, mas seu significado, assim como a forma de sentir tal sensação é controlado, pondo tais seres como superadores de inativação. Também convém lembrar que eles não são cascas ocas. Estamos falando de uma sensação: o medo!
 

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