Natal, Rio Grande do Norte, 26 de Setembro de 2017

Exclusivo: PCC tem pelo menos 80 integrantes no Rio Grande do Norte

Organização criminosa conseguiu se estabelecer no Estado ao longo dos últimos anos, principalmente, dentro do presídio de Alcaçuz.

Thyago Macedo e Sérgio Costa   14/08/2011 às 15h53   -  Atualizada em 21/07/2017 às 14h33

Foto: Thyago Macedo
Facção 15.33 também representa o PCC. O 15 equivale ao P, 15ª letra do alfabeto, e o 3 ao C, terceira letra

O Primeiro Comando da Capital, fundado em São Paulo e considerado hoje a maior organização criminosa do país, tem pelo menos 80 integrantes no Rio Grande do Norte. O PCC, como é conhecido, foi fundado em 1993 e ao longo dos anos ganhou traços de um partido, tendo afiliados em vários presídios brasileiros. No RN, a facção se estabeleceu em Alcaçuz e conseguiu agregar vários criminosos, inclusive, com a participação de advogados.

Saiba Mais: Advogados articulam esquema entre PCC e integrantes da segurança do RN

Atualmente, são cerca de 60 presos e mais 20 circulando pelas ruas do Estado. De acordo com o que foi apurado pelo Portal BO, a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania dispõe, inclusive, de uma lista com o nome de quase todos os integrantes. No ano passado, a Secretaria de Justiça havia identificado boa parte dos cabeças da facção e encaminhado-os para o presídio federal de Mossoró. Pouco tempo depois, a justiça determinou o retorno de 20 deles para Alcaçuz. O resultado disso é que pelo menos cinco morreram na unidade e outros se envolveram em fugas.

 
Jussier liderava o PCC no RN, mas foi morto na Paraíba
 

A reportagem ouviu pessoas ligadas ao sistema prisional para entender o funcionamento do PCC no RN. De acordo com fontes, um dos criminosos que difundiu o sistema no Estado foi Jackson Jussier Rocha Rodrigues, morto em confronto com a polícia da Paraíba no dia 5 de agosto.

Jussier, juntamente com Alexandre Thiago Costa Silva, eram considerados presos de alta periculosidade e, no ano de 2007, foram transferidos para a penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná. De acordo com fontes do Portal BO, lá, ao contrário do que se esperava, os dois tiveram um verdadeiro “mestrado do crime”, apreendendo os conceitos do PCC para difundir no Rio Grande do Norte.

Os dois voltaram para Alcaçuz e conseguiram angariar novos afiliados para o PCC. Durante muito tempo, os dois foram líderes do movimento no Rio Grande do Norte. Ao longo desse período, vários membros foram identificados como Magno Boaventura, o Bode Zé. Este foi assassinado e decapitado dentro de Alcaçuz, em maio deste ano.

Outro detendo identificado como Ricardo Campelo, que veio do Mato Grosso, e é conhecido no RN como “Irmão Natal”, seria responsável por “batizar” presos para o Primeiro Comando da Capital. A lista ainda inclui o paulista Nilton Albuquerque Gomes de Andrade, preso em 2008 com mais de 100 quilos de cocaína escondidos em uma Land Rover, em Genipabu.

O batizado

 
Condenado a mais de 100 anos, Xandinho é apontado como integrante do PCC em Alcaçuz
 

O Portal BO descobriu ainda como funcionam os batizados e a relação dos presos do Rio Grande do Norte com o comando do PCC em São Paulo. Segundo fontes, os detentos fazem as “cerimônias” na quadra de Alcaçuz. Os novos integrantes fazem uma espécie de juramento, após passarem por uma investigação detalhada do histórico de vida.

“Não é qualquer pessoa que pode entrar. Eles investigam tudo até os familiares. Para ser membro do PCC é preciso ter algum histórico de crimes, mostrar força para, por exemplo, conseguir colocar droga dentro do presídio. Ou seja, quanto maior o grau e a quantidade de crimes cometidos, mais fácil se filiar”, revela a fonte.

Outro detalhe que chama atenção é que o PCC não permite que seus integrantes usem drogas. O “partido” não permite também disputa por comando, nem traições. Em caso de descumprimento, o membro pode ser condenado à morte.

Ligação com o Comando
Durante as investigações para elaboração da matéria, o Portal BO recebeu ainda uma denúncia grave. Para manter o contato com os líderes do Primeiro Comando da Capital em São Paulo, os presos do Rio Grande do Norte têm como ponte alguns advogados, que recebem as orientações fora dos presídios e repassam para os detentos.

Além disso, os presos também utilizam do meio mais “tradicional”, que são ligações diretas de dentro das unidades prisionais e a troca de informações via familiares. Hoje, as marcas do PCC estão em vários setores da penitenciária de Alcaçuz. 

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