Natal, Rio Grande do Norte, 19 de Novembro de 2017

Exclusivo: Advogados articulam esquema entre PCC e integrantes da segurança do RN

Material apreendido em Alcaçuz aponta participação e detalha pagamento para policiais, agentes penitenciários e até um delegado.

Thyago Macedo   21/08/2011 às 11h51   -  Atualizada em 21/07/2017 às 14h35

Fotos: Reprodução
Pintura dentro de Alcaçuz representa advogado segurando fuzil do crime

O Portal BO continua com a série de matérias investigativas sobre a presença no Rio Grande do Norte da principal organização criminosa do Brasil e descobriu que advogados articulam o esquema entre o Primeiro Comando da Capital e os integrantes da segurança pública do Estado. Pagos para defender os presos, eles fazem muito mais que isso e se submetem ao mundo do crime.

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Dentro da organização, os advogados são tidos como membros efetivos e ganharam até um apelido específico. Dentro dos presídios, eles são chamados de “Sintonia dos Gravatas”. No Rio Grande do Norte, pelo menos três advogados são suspeitos de ligação com o crime organizado. Eles atuam na defesa de presos de Alcaçuz e também do interior.

A reportagem descobriu que um desses advogados chegou a ser flagrado entregando material ilegal para os detentos e articulando o pagamento de propina para policiais e agentes. Esse mesmo advogado era dono de uma agenda, apreendida dentro de Alcaçuz, na qual a cúpula da Administração Penitenciária encontrou uma verdadeira “lista do crime”.

O Portal BO teve acesso às informações da agenda, mas vai preservar o nome do advogado. Isso porque o material foi todo repassado para o Ministério Público e para a Divisão de Investigação e Combate ao Crime Organizado para investigação. Na agenda constam nomes de policiais, agentes penitenciários e até um delegado que iria facilitar a vida de um preso que seria transferido para o interior.

O pagamento para esses agentes da segurança pública do Rio Grande do Norte era feito em dinheiro ou simplesmente com presentes, como garrafas de uísques. O advogado dono da agenda também articulava mudança de preso de pavilhão para facilitar fugas. Uma delas foi a fuga de Jackson Jussier, em 2009. Ele era o líder do PCC no RN e morreu no início do mês na Paraíba.

A participação de advogados no crime organizado também pode ser constatada através de anotações apreendidas com detentos de Alcaçuz. Uma delas parece uma publicação do comando do PCC em São Paulo para todos os Estados, atendendo pedido dos advogados.

 
Trecho de um dos cadernos apreendidos dentro do presídio de Alcaçuz
 

“A Sintonia dos Gravatas no Estado veio pedir a todos os quadros da Geral dos estados a estarem elaborando trabalhos para suprir os custos dos profissionais de cada estado, para estarem atuando em várias unidades estaduais”, diz um dos textos. Em outro trecho das anotações, consta: “Na área jurídica, nossos irmãos e companheiros estão esquecidos”.

No texto, os presos pedem que os “irmãos” que estão na rua “fortaleçam o andamento dos trabalhos para o progresso da família em cada estado”. De acordo com fontes do Portal BO, o advogado que teve a agenda apreendida é apontado como o principal elo entre a organização criminosa de São Paulo com os detentos do Rio Grande do Norte. Atualmente, ele ainda frequenta o presídio de Alcaçuz e tem vários clientes dentro da unidade prisional, inclusive, com atuação nas cidades de Caicó e Mossoró. 

Tópicos: pcc, alcacuz, advogados
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