Natal, Rio Grande do Norte, 27 de Junho de 2017

Baú da Polícia: Herácles Dantas é o fotógrafo das tragédias do RN

O "Velho Herácles" abre parte do seu baú exclusivamente para o Portal BO.

Thyago Macedo   09/10/2011 às 11h05   -  Atualizada em 10/02/2015 às 02h06

Foto: Thyago Macedo
Herácles Dantas tem mais de 30 anos de fotojornalismo, especialmente na área policial

Acostumado a fotografar tragédias, Herácles Dantas é, hoje, uma referência no jornalismo do Rio Grande do Norte, sendo constantemente convidado para realizar palestras na Universidade Federal do RN e em outras instituições. A paixão pela foto surgiu quando Herácles ainda era moço. De lá para cá, são mais de 30 anos clicando mortes, acidentes e criminosos.

Com sangue frio, o fotografo conta suas histórias sem nem mesmo pestanejar e ainda lembra das histórias de cada uma das imagens. Atualmente, seu grande sonho é montar uma exposição. “Fiz fotos de tudo que se possa imaginar. Sempre fui um dos primeiros a chegar às cenas de crime e quase todas as minhas fotos foram publicadas nos jornais”, ressalta.

Foto: Herácles Dantas
Do alto de um prédio no centro de Natal, Herácles fotografa jovem que se matou
 

Herácles trabalhou durante mais de dez anos no Diário de Natal e, há 14 anos, fotografa para o Jornal de Hoje. “Hoje em dia, as informações são mais rápidas, com a internet e o celular. Mas, antigamente, era complicado. Nossa maior fonte de informações eram os taxistas. No Diário de Natal, por exemplo, a gente tinha carta branca para ir para as ocorrências da táxi a qualquer hora. Então, os próprios taxistas que queriam ganhar dinheiro ficavam sabendo das mortes e iam até a minha casa”, conta Herácles.

Dessa forma, ele foi ganhando destaque e conseguindo fazer fotos exclusivas. Uma delas, que ele considera importante, foi a morte de Basílio, ex-treinador do América e professor universitário. De classe média e morando em Parnamirim, Basílio foi assassinado com dois tiros e jogado em uma lagoa em Macaíba. “Nesse caso, o jornal vendeu vários exemplares, chegando a esgotar nas bancas”, afirma.

Foto: Herácles Dantas

Filha do fotografo aperece no alto da imagem olhando para o pai em local de homicídio
 

Herácles também lembra que nunca teve “frescura” e até mesmo seus filhos se acostumaram com a rotina do pai. Em uma das fotos feitas por ele, inclusive, a filha, que na época tinha cinco anos, aparece na porta de uma casa olhando para o corpo de uma mulher assassinada pelo marido com mais de 20 facadas. “Ela me pedia pra ir e eu sempre levava”.

Apesar de falar com naturalidade das histórias violentas que fotografou, Herácles Dantas lembra de uma que mexeu com seu psicológico. “Esse caso é triste porque envolve uma criancinha. A mãe tinha saído à noite e deixou o bebê dormindo. Durante a madrugada, uma irmã mais velha, que tinha deficiência mental, enterrou a criança viva”.

Fotos: Herácles Dantas

A primera imagem é do ex-treinador do América, Basílio. Logo depois, a foto da criança enterrada viva pela irmã.
 

No dia seguinte, a mãe procurava pelo bebê de seis meses e acabou pisando em uma terra fofa no quintal. Era a filha que já estava morta. “Lembro que quiseram linchar a irmã deficiente, mas a própria mãe pediu que não fizessem isso. Esse caso aconteceu no Jardim Progresso”, destaca Herácles Dantas.

Nem só de tragédias, no entanto, é feito o jornalismo policial. Existe o lado cômico e o fotografo também tem histórias engraçadas para contar. Um dos casos é de Emanoel Varela, preso no Planalto por vender carne de burro na feira do Carrasco.

Foto: Herácles Dantas

Emanoel Varela se deixou fotografar segurando a cabeça de um burro morto por ele
 

“Eu cheguei na delegacia e fui com o aleijado até o local onde ele enterrava os burros. Depois, fiz a foto dele segurando a cabeça”, comenta, em meio as risadas. Herácles fotografou vários criminosos perigosos que aturaram no Rio Grande do Norte e conhece como ninguém a história de cada um deles.

Com um acervo incontável de fotografias, seu grande objetivo é montar uma exposição fotográfica e apresenta-la aos norte-riograndeses. “Para isso, preciso de patrocínios, mas estou trabalhando para fazer isso. É o meu grande sonho”. 

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