Natal, Rio Grande do Norte, 23 de Março de 2017

Assaltos assustam comerciantes nas Rocas

Bandidos atuam diariamente com tranquilidade e intimidam moradores da área.

Thyago Macedo   18/03/2012 às 08h57   -  Atualizada em 10/02/2015 às 02h31

Foto: Thyago Macedo
Comércio das Rocas tem grande movimentação todos os dias.

Quase que toda semana os comerciantes do bairro das Rocas são vítimas de assaltos e arrastões. Os bandidos transitam livremente pelas ruas daquele setor da capital, inclusive, exibindo armas. Sem ter o que fazer, a população acaba se tornando refém e, desacreditando no trabalho da polícia, nem mesmo denúncia mais os roubos registrados. A reportagem do Portal BO esteve nas Rocas e conversou com alguns dos comerciantes.

Como já era esperado, todos pediram para não serem identificados. O motivo é simples: os bandidos que assaltam são da própria comunidade e ameaçam voltar para se vingar caso algum dos empresários denuncie os crimes. Neste fim de semana, dois homens invadiram e roubaram um mercadinho na rua do Areal.

A proprietária do local disse que o crime aconteceu ainda de dia, por volta das 12h. “Estava neblinando e não tinha ninguém na rua. Eles entraram aqui armados e anunciaram o roubo. Como o movimento estava fraco naquele dia, tínhamos apenas R$ 50. No entanto, eles também levaram meu celular”, conta a comerciante. A mulher revelou ainda que a após o crime acionou a polícia, mas quando os policiais chegaram os bandidos tinham desaparecido.

Na rua Belo Horizonte, outro ponto das Rocas, os casos também se sucedem. O proprietário de uma padaria relata que já foi vítima de assaltos inúmeras vezes, tanto que não sabe mais precisar a quantidade. “Estou aqui há 14 anos e posso afirmar que essa onda de roubos começou de uns cinco anos para cá”, explica.

O homem conta que já investiu em segurança e colocou câmeras de vigilância no interior da padaria. “Entretanto, foi-se o tempo em que bandido tinha medo de ser filmado. Hoje, eles entram em qualquer lugar com a maior naturalidade do mundo, parece até que são os donos dos estabelecimentos comerciais”.

De fato, os criminosos sabem que os moradores da região têm medo de denunciá-los e, por isso, fazem o que quer pelas ruas das Rocas. O dono de outro mercadinho lembra: “no último domingo [11], dois deles fizeram um assalto aqui perto e passaram aqui na frente. Um segurava uma sacola com dinheiro e outro a arma na mão”. Este comerciante também foi vítima de roubo no final do ano passado.

A tranquilidade dos bandidos é também em virtude da falta de policiamento ostensivo. Desde o ano passado, os moradores criticam a falta de mais viaturas e homens da Polícia Militar para inibir as práticas delituosas.

A reportagem procurou o 2º Distrito da Polícia Civil para saber se existe alguma investigação em andamento para tentar prender os ladrões do comércio. O titular da unidade, delegado Amaro Rinaldo, informou que vários inquéritos estão tramitando no 2º DP e outros já foram remetidos para a Justiça, inclusive, com autoria identificada.

“Infelizmente, nem tudo depende do nosso trabalho. Nós conseguimos investigar, identificar e prender. No entanto, muitos desses acusados são soltos e voltam a praticar os mesmos delitos”, destaca o delegado. Além disso, boa parte dos roubos é praticada por adolescentes, o que torna ainda mais a permanência dele atrás das grades.

“Temos boa parte das autorias desses crimes nas Rocas e também em outras áreas como na orla. O que acontece é que encontramos dificuldades, como por exemplo, em localizar os produtos roubados, tendo em vista que eles se livram com muita facilidade. Tudo isso dificulta a confecção dos inquéritos, pois precisamos ter elementos fortes para evitar ainda mais burocracia”, completa.

Ainda segundo o delegado Amaro Rinaldo, o 2º Distrito Policial dispõe de um grande banco de dados com fotografias de supostos assaltantes. “Quando a vítima chega na delegacia e faz o reconhecimento, nossos policiais já sabem o interesso daquele suspeito e vai imediatamente a sua procura. Para que isso acontece, no entanto, é preciso a colaboração da população”, ressalta o delegado.

Amaro Rinaldo pede que as pessoas confiem no trabalho da polícia e denuncie. “Muita não relata que foi vítima de um assalto porque avalia que não vai dar em nada. Isso não é verdade. Mesmo com todas as dificuldades de estrutura, nós temos solucionado a maioria dos casos”. O delegado completou dizendo que também é preciso investir em policiamento ostensivo, principalmente, durante a noite e fins de semanas, períodos em que os crimes aumentam.
 

Tópicos: assaltos, rocas
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