Queima de Arquivo

Natal, Rio Grande do Norte, 29 de Abril de 2017

As diárias operacionais e a oficina de discos voadores

Sérgio Costa   22/11/2014 às 11h41   -  Atualizada em 06/02/2015 às 09h56

Foto: Mara Rochele

Por causa do trabalho contínuo, o cansaço é inevitável e às vezes paro um pouco de reportar e vou por aí. Em uma dessas caminhadas em busca do sossego, passei na Praia do Amor, ali pelos lados da Pipa, desci as falésias, acompanhado de uma bela morena, quando me deparei com uma placa que me chamou atenção, o letreiro dizia: “Conserta-se disco voador”. Imediatamente achei engraçado, pensei no quanto imaginar é bom, brincar com inacreditável e tornar real aquilo que ninguém espera.

Enquanto ria com o presepeiro dono da oficina que instalou a placa, deparei-me com um policial militar de Natal, ele é da Força Tática, um soldado experiente e combatente das fileiras da PM há 15 anos. O sujeito apertou minha mão, disse que me acompanhava nas reportagens da rádio e da TV, mas queria me fazer um pedido, na verdade, pedir-me um apoio para que as diárias operacionais atrasadas desde a Copa do Mundo fossem cobradas.

Confesso que por um instante não creditei que esse pagamento prometido e garantido em diversas entrevistas com o Governo ainda estava pendente, mas estava. Lembro que no tempo da Copa a cobrança por segurança foi forte, tinha polícia por toda parte, até na esquina da minha rua, no subúrbio elegante de Nazaré, tinha polícia. Não esqueço também que por várias vezes atendi telefonemas de praças que trabalharam no estádio Arena das Dunas me relatando que a única refeição do dia era um cachorro-quente frio e uma Coca Cola.

O policial conversou comigo ainda uns dois minutos, desejou-me boa sorte e foi embora. Eu continuei descendo o paredão concentrado em duas coisas: primeiro, em descer devagar e com atenção, pois morro de medo de altura e aquilo é alto pra caramba; e a outra coisa que pensava era o desabafo do soldado. Quando sentei em uma cadeira de barraca de sombra boa e pedi aquela velha dose de água ardente gelada, viajei.

Às vezes, é muito mais fácil confiarmos em extraterrestres no prego no meio do espaço que acreditarmos em promessas não cumpridas, em palavras proferidas ao vento que tiveram só um efeito, deixar uma tropa inteira com o pé atrás. O Carnatal vem aí! Vamos pra Pipa? Ah, esqueci, meu colega PM contava com as DOs das eleições e do ENEM, mas essas necas de pitibiriba!
 

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